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Obscuridades da 7º Arte
Mulheres e Cavalos (1986)
Opa! Mal a demora, macacada. Sabe como é, estava atarefadíssimo esses dias. Mas vocês sabem que nunca vou deixar vocês – e esse blog – na mão. Onde mais encontraremos dossiês e resenhas de filmes de sacanagem da Boca do Lixo, a não ser no famigerado blog Necrofilmes? Quem mais teria coragem de falar sobre filmes como Galinha do Rabo de Ouro, Meu Cachorro Meu Amante, e outras barbaridades? E galera, não poderia deixar de agradecer a presença de todos vocês. Acreditem se quiser, mas já alcançamos a marca de 163.000 visitas! Com média superior a 200 visitas por dia! Valeu mesmo macacada! Me sinto orgulhoso de difundir essas obras. Cinema não é só Glauber Rocha, Federico Fellini... Cinema também é Márcia Ferro, Chumbinho, Sandrinha Midori... E por aí nós vamos!
Como disse em resenhas anteriores, estamos penetrando (no bom sentido, deixar claro) no estranho submundo do diretor Juan Bajon, mais precisamente naquelas obras... Hum, digamos assim, com títulos um pouco (ou pouco?) bizarros...

Qual é o filme de hoje? A obra da vez é Mulheres e Cavalos, feito no ano de 1986. E o elenco? Bom, nós temos a estrela Márcia Ferro, uma das grandes rainhas da Boca do Lixo. Além da musa, temos ainda Fernando Sábato, Max Din, Michelle Darc (óia ela aí de novo!) e a desconhecida Najara Kundera.
O enredo é bem semelhante a Duas Mulheres e um Pônei. É aquela velha história de pegar uma idéia central e explorar ela ao máximo, fazendo dois ou mais filmes quase idênticos. Assim como Joe D’Amato e outros diretores faziam no Velho Continente, Bajon fazia por estas bandas. Produzindo vários filmes com o mesmo elenco, cenários e enredo, gasta-se pouco e tem um bom retorno financeiro, em uma lucrativa relação custo-benefício. Pois bem. Como disse em resenha anterior, no Duas Mulheres e um Pônei, Márcia Ferro escapa de um possível estupro, sendo salva por Fernando Sábato. Já aqui, no Mulheres e Cavalos, Márcia Ferro é seqüestrada pelo mesmo Fernando Sábato, e por seu parceiro de crime Max Din.

No Mulheres e Cavalos, Márcia Ferro é filha de um milionário (que nunca é mostrado), e por isso, seqüestrada. O que os bandidos não sabem é que dona Márcia é uma mulher insana, louca e depravada. Aliás, um amigo meu – que não vou revelar o nome – conhece a Márcia Ferro, e diz que ela é assim mesmo, extremamente amalucada!

Como no Duas Mulheres e um Pônei, no Mulheres e Cavalos todos saem da cidade, em direção a uma fazenda. Lá no cárcere, nossa musa, dona Márcia Ferro, resolve conhecer melhor os seus seqüestradores, vendo o tamanho do resgate, se é que vocês me entendem...

A interpretação de Márcia Ferro é extremamente forçada, e por isso mesmo divertidíssima! Na fazenda, consegue irritar e enlouquecer os seus seqüestradores – que, além de não conseguirem obter o dinheiro do resgate, tem que aturar a devassidão total até o último orgasmo da seqüestrada. No melhor estilo “adepta da Ilha de Lesbos”, Márcia Ferro divide a cama com as feiosas Najara Kundera (nome de princesa africana, heim?) e Michelle Darc. O ponto alto da performance de dona Ferro é, sem dúvida nenhuma, o double blowjob que ela pratica nos sortudos Fernando Sábato e Max Din, com direito à facial cumshot. Aliás, cena assim é raríssima de ser vista em um filme da Boca do Lixo. Totalmente excelente, como diria... Quem mesmo dizia essa frase? É claro que não posto esta foto aqui, pois crianças e idosos tem o saudável hábito de visitar este espaço!

Ma-mas Yúri, e cadê os “cavalos” do título “Mulheres e Cavalos”? Calma, calma, que ainda não terminei a resenha do filme. Bom, está aqui:

O que esperar então de Mulheres e Cavalos? Um produto corriqueiro, e até mesmo banal, é verdade. Mas não deixa de ser interessante, abordando a sexualidade insana do Brasil terceiro mundo, além de ser um belo exemplar do nosso cinema primitivo. “Primitivo” não como uma conotação depreciativa, e sim como adjetivo do retrato fiel do nosso verdadeiro cinema pornográfico brasileiro. O oposto do que é feito atualmente, um emaranhado inútil de cenas desconexas e cretinas, sem criatividade ou ousadia. E viva Juan Bajon!
Escrito por Yúri Koch às 01h30
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Duas Mulheres e um Pônei (1987)

Senhoras e senhores, crianças e crianços (“crianços”?). Com a permissão da vovozinha, vamos dar continuidade à excêntrica e espalhafatosa série porno-eqüina do chinês Juan Bajon.
Pois bem. Em meio a uma onda de filmes com temáticas um tanto quanto zoofílicas, isso lá nos anos oitenta, eis que surge, mais precisamente em 1987, Duas Mulheres e um Pônei. E quem são as mulheres que o título do filme rotula? A musa Márcia Ferro e a inexpressiva (e “topa tudo por dinheiro”) Michelle Darc. Provavelmente, Duas Mulheres e um Pônei seja o primeiro (e único) road movie pornô zoofílico brasileiro. Se é que vocês entenderam esta classificação insana...
Vamos à sinopse: Um Zé Ruela qualquer (que poderia ser eu ou você) – o ator Fernando Sabato – está a caminhar com o seu carro em uma zona rural. Eis que de repente, saindo das matas secas que encobrem a estrada, surge Márcia Ferro, gritando e pedindo por socorro. Fernando, como bom samaritano, vai ao encontro da desesperada, acabando por socorrê-la de um suposto estupro.
Dentro do carro, Fernando Sabato se depara com uma mulher que, aos poucos, vai mostrando a sua insanidade, loucura e, acima de tudo, depravação. Ressalva-se, neste ponto, a boa interpretação de Márcia Ferro, que em muito lembra a Bianca Chernier no Revelações de uma Sexomaníaca. E não é que a Márcia Ferro resolver afogar o ganso em pleno carro? Se é que vocês me entendem...

Como alegria de pobre dura pouco, dois vagabundos resolvem assaltar o casal. A depravada da Márcia Ferro, tiririca da vida que os delinqüentes estragaram o seu dia, desarma os meliantes e os deixa amarrados. Sem saber o que fazer com eles, segue para a fazenda de uma conhecida sua.

Nesta fazenda, o único passatempo de sua amiga é criar cavalos. Ou melhor, pôneis. Aí vocês já sabem o que acontece, né? Ou eu preciso detalhar tudo? Como na Boca do Lixo todo mundo é anormal, a principal diversão desta amiga é não só criar pôneis, mas também se divertir com as suas crias. Aí entra Juan Bajon e sua obsessão eqüina em ação. Neste rala-e-rola com os pôneis, eis que aparecem cenas, digamos assim, “escrotas”, “indigestas”. Juan Bajon não deixou a imaginação do espectador falar por cima. Optou, de modo sensacionalista a bagaceiro, mostrar a feiosa da Michelle Darc com a boca na botija, se é que vocês entendem. Aqui faço uma pequena pausa dissertativa. Só uma curiosidade inútil, que em nada vai agregar a sua bagagem cultural: nas produções pornográficas, quando há cenas com animais, o diretor lambuza açúcar ou qualquer tipo de doce no corpo da atriz, para que o animal lamba e... Ei! Mas que baixaria da porra é essa aqui no meu blog? Vamos mudar de assunto...

Levando os dois bandidos e o rapaz que a socorreu para a fazenda, lá resolvem animar as horas que ainda lhes restam...

Após a análise (sempre superficial do blog Necrofilmes), saliento duas observações que penso serem relevantes. A primeira é a interessante e inusitada abordagem do diretor Juan Bajon no Duas Mulheres e um Pônei. Em todos os filmes pornôs (no Brasil e no mundo), nota-se a subserviência da mulher, o papel do sexo feminino como instrumento de realização dos anseios sexuais de homem. A mulher como objeto sexual e outros blá blá blá de tese de movimentos feministas. Mas neste filme é diferente! No Duas Mulheres e um Pônei a mulher é o símbolo do poder, a pessoa que manda e desmanda quando o assunto é sexo. Believe or not, nesta obra singular de Juan Bajon, as mulheres usam os homens como objeto de satisfação sexual! Em certos trechos, a mulher quer fazer sexo, mas o homem não quer, dando um de “não dou mas quero dar”! Pois é amigo, os tempos são outros...
O segundo ponto relevante é a própria criatividade na narrativa da obra. Há uma inteligente ligação entre o início e o fim do filme, como se este não fosse ter fim. Explico, não complico: no início, Márcia Ferro é socorrida por um homem. No final, foge deste mesmo homem para ser socorrido por um outro. E nisso subtende-se que irá se perpetuar essas idas e vindas de uma mulher e sua loucura. Como se ela fosse uma divindade sexual de uma estrada, atazanando a vida de seus motoristas.
Em suma. Duas Mulheres e um Pônei é um exemplo concreto da criatividade (e loucura) reinante nos artesãos da gloriosa Boca do Lixo! Tenho dito!
Escrito por Yúri Koch às 19h56
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Sexo à Cavalo (1985)
Vamos agora fazer um pequeno tour a uma das séries mais curiosas e singulares que a Boca do Lixo já produziu, a chamada fase do “pornô-hipismo”, de acordo com a definição do saudoso jornalista Aramis Millarch.
Em um período entre os anos 1985 a 1988, Juan Bajon dirigiu nada mais nada menos que 9 filmes cujos títulos têm a palavra “cavalo”. São eles: Sexo à Cavalo, Meu Marido Meu Cavalo, Seduzida por um Cavalo, A Garota do Cavalo, Loucas por Cavalos, Mulheres e Cavalos, Viciadas em Cavalo, Tudo por um Cavalo e, finalmente, Um Homem, Uma Mulher e um Cavalo. Ufa! Cansei! Sem falar que não citei Duas Mulheres e um Pônei e Júlia e os Pôneis.
Vamos então começar nossa incrível viagem com o primeiro filme da série, Sexo à Cavalo.

Logo pelo título notamos a falta de intimidade do brasileiro para com a língua portuguesa. Não é “Sexo à Cavalo”. Não tem a porra da crase, mas deixa pra lá.
Tudo começa com o casal Sandra Morelli e Ronaldo Amaral presenciando as farras sexuais de cavalos em uma fazenda. Mais precisamente, a Fazenda Tabatinguera – local das filmagens. E olha que o cavalo é um fanfarrão!

Em um ato de obsessão eqüina, Sandra Morelli ordena que o seu marido se comporte como um cavalo. Dá feno para ele comer, coloca estribo e literalmente monta no seu marido-cavalo de estimação. Obviamente Ronaldo Amaral teima em cumprir os caprichos pitorescos de sua amada. Mas como é um pau-mandado...

Em uma noite estrelada, eis que chega uma galera na residência do casal Amaral & Morelli para uma orgia (êita que o povo brasileiro já gosta de uma suruba).

Aqui neste segmento, puxo a orelha de Juan Bajon. Mal os personagens saem do carro e já aparecem nas cenas de sexo. O diretor Juan Bajon deveria explorar mais os corpos das mulheres. Nem se dá ao luxo sequer de filmar os rostos das atrizes! Não que isto mostre a esperteza de Juan Bajon em não desagradar o espectador com a feiúra do elenco feminino, e sim porque o filme foi todo rodado às expressas. Quer dizer, “rodar rapidamente” um filme da Boca do Lixo soa um tanto quanto óbvio. “Rodado às pressas” significa que Bajon não se preocupou com nada mesmo, deixando o trabalho um pouco mal feito, mostrando um certo desleixo no Sexo à Cavalo. A bela Bianchina Della Costa, por exemplo, poderia ser melhor explorada.
Mas Sexo à Cavalo não é tão podre assim. Ao contrário, tem boas e ousadas cenas. Em um delas, uma incrível esporrada no rosto de uma cidadã, no melhor estilo precursor de Brazilian Facials. O destaque fica por conta de Sandra Morelli. Não é uma boa atriz, e nem tão bela assim. Mas realiza uma competente cena com direito à “double penetration” com dois rapazes (e o marido Ronaldo Amaral só de vouyer). Além disso, Sandra Morelli pratica uma devassa performance com uma cenoura, coisa que nem o nosso velho amigo Pernalonga conseguiria fazer!

Apesar de parecer um tanto quanto bizarro, Sexo à Cavalo não chega às vias de fato. O máximo de ousadia em se tratando de zoofilia é um “trabalho manual” (também conhecido como handjob – ou, para quem ainda não entendeu, a chamada “masturbação”) que Morelli pratica no Garanhão.
Visto hoje, é um produto ingênuo, que nem de longe lembra as produções pornográficas bizarras que a mente humana viria a produzir anos mais tarde. Exemplo é o título homônimo (que também peca no trato com a língua portuguesa) chamado (obviamente) Sexo à Cavalo. Não o do Bajon (feito em uma época que filme tinha história e era divertido), e sim uma produção caseira vagabunda qualquer, feita em um sítio qualquer, por uma pessoa qualquer, e que não vale a pena ser comentado neste blog.

Sem comentários... Continuo a série do Bajon na próxima semana.
Escrito por Yúri Koch às 17h58
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Sexo dos Anormais (1984)

E vamos mais uma vez examinar mais uma obra da lendária produtora Galápagos Produções. Ao contrário do que está escrito na capa da Hot Sexy Vídeo, a direção não é do Juan Bajon, e sim de Alfredo Sternheim. Bajon foi o financiador do projeto, tendo assumido o posto de produtor de muitos filmes explícitos do Sternheim. Mas antes de prosseguirmos, um aviso: “Atenção, o Ministério da Saúde adverte: Este filme contém algumas cenas explícitas de safadeza entre pessoas do mesmo sexo, não recomendado para pessoas sensíveis e hetero-ortodoxas”.
O ano é 1984. Sternheim estava começando a pegar o embalo da indústria explícita, acumulando até então a experiência de dirigir 2 filmes pornôs: Sexo em Grupo e Variações do Sexo Explícito. Aqui, em Sexo dos Anormais, somos apresentados a um psiquiatra na busca de salvar a sua clínica da falência. Ao lado dos problemas financeiros, tem aturar (ou “ajudar”) os seus pacientes, uma verdadeira fauna sexual urbana, com os mais estranhos e graves problemas: a irmã em depressão que é julgada de vagabunda pela vizinhança, a namorada ninfomaníaca que não consegue viver sem o tchaca-tchaca-na-butchaca, e o travesti que foi abandonado à própria sorte pelo namorado. São os elementos mais exóticos e pitorescos que proliferam no mundo.

Infelizmente, a matriz do filme que o blog Necrofilmes possui não é das melhores; apesar da imagem ser nítida, é quase inaudível. Tive que aumentar todo o volume da televisão, mas mesmo assim o som ficou muito baixo. Fato este que dificultou bastante que eu entendesse várias passagens do filme.
Falar da Boca do Lixo é falar das atrizes – a não ser que você seja do “outro lado”. Além de Silvia Dumont, temos a musa Sandra Midori em mais uma de suas participações na produtora Galápagos.

Sandra Midori, como não poderia deixar de ser, arrasa nas cenas, contracenando com Eliseu Faria e outros homens, quase sempre no Motel Bariloche. Mas, apesar das cenas fantásticas de Midorinha, o papel mais importante fica a cargo de Marco Antonio Abrão – ou, para os íntimos, Cláudia Wonder.

Na Boca do Lixo era muito comum a presença de transexuais. O mais famoso foi Patrícia Petri (Rabo 1 e Sem Vaselina), que inclusive alcançou o status de “musa” no meio dos pesquisadores do cinema pornô nacional. Por isso que o Brasil é um país único...
Dizia eu da Cláudia Wonder. Nascido Marco e criado Cláudia, viveu nessa dicotomia até decidir pela transexualidade ainda na adolescência. Cláudia Wonder faz o seu “debut” na Boca do Lixo com Sexo dos Anormais. No filme, Cláudia é um rapaz gay, que devido às condições do namorado, faz mudança de sexo, sendo logo em seguida jogado ao Deus dará. Interessante que o diretor Alfredo Sternheim sabe muito bem explorar nos seus filmes os comportamentos ditos bizarros pela sociedade, alfinetando as polêmicas e mazelas do submundo do sexo. Por exemplo, em trechos que mostram a história pregressa do travesti, Sternheim aborda desde os meandros da prostituição paulista até as exigências coprofágicas dos seus clientes estrangeiros.
Com disse em linhas anteriores, o fato do áudio do meu filme estar uma porcaria dificulta em muito na análise do mesmo. Mas algumas cenas são, digamos assim, ingênuas. Exemplo ilustrativo: uma moça não quer dar para um rapaz e ele, simplesmente, só fala a excêntrica frase “Sua chata!”...
O que se nota em Sexo dos Anormais é a incrível “desabilidade” (palavra que eu criei) dos atores quando o assunto é mulher-e-cama. Chega a ser perturbador e até mesmo um verdadeiro caso de saúde pública a impotência do pornoator brasileiro nas filmagens. Nem mesmo a Sessão do Descarrego da Reunião Divina dos 318 Pastores consegue solucionar a impotência dos atores brasileiros. Mas não vou tocar muito nesse ponto porque terei então que discorrer uma análise sócio-psíquica do povo brasileiro e esse não é o objetivo do blog Necrofilmes.
Apesar do elenco masculino não cooperar, Sexo dos Anormais é mais uma daquelas obras interessantes e desconhecidas que estão no limbo, e que merece ser resgatada por sua forma ousada e polêmica de tratar certos tabus da sociedade.
Escrito por Yúri Koch às 16h26
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Revelações Sexuais de uma Sexomaníaca (1987)

Não, amigo, não se deixe enganar pela capa. Apesar de a mesma informar “Um dos melhores pornôs nacionais de todos os tempos”, passa longe, muito longe dessa assertiva. O ano é 1987. Juan Bajon, símbolo máximo da produção pornográfica, no auge de seus filmes com temáticas eqüinas, decide escrever, produzir e dirigir Revelações Sexuais de uma Ninfomaníaca.
Mas antes de continuarmos, é de bom tom que façamos uma retrospectiva cultural-cinematográfica. No início da década de 60, George Cukor dirigiu o clássico musical My Fair Lady, baseado na peça teatral Pygmalion, do escritor irlandês George Bernard Shaw (Necrofilmes também é cultura!). My Fair Lady narra a história de um professor que, devido a uma aposta, faz de tudo para transformar uma mulher pobre em uma dama da high society, alta sociedade.
– Mas que porra, Yúri! Eu entro aqui neste blog pra ler resenhas de filmes de safadeza, e não musicais ou peças de teatro. Que merda isso tem a ver com a Boca do Lixo?
Certamente pergunta você, nobre leitor. Mas calma, meu amigo, eu explico. Digamos assim, Revelações Sexuais de uma Sexomaníaca é uma versão hardcore tupiniquim do clássico My Fair Lady. Ou, usando o termo certo para designar versões não-autorizadas de outros filmes, “ripoff”. Portanto, Revelações Sexuais de uma Sexomaníaca é um ripoff brasileiro do musical My Fair Lady. Obviamente com “pequenas” modificações.
Como estamos no Brasil, Audrey Hepburn, a humilde mulher vendedora de flores que seria transformada em uma dama da alta sociedade, aqui na Boca do Lixo é uma garota de programa bissexual de leves tendências masoquistas, interpretada pela exótica Bianca Chernier. E o professor que almeja a transformação comportamental da pobre moça (Rex Harrison), na Boca do Lixo é um cafetão hedonista interpretado pelo nosso velho conhecido Ronaldo Amaral. Obviamente o My Fair Lady com ingrediente tupiniquim não sairia com bom resultado...
Ronaldo Amaral estava fazendo um filme atrás do outro na produtora Galápagos, sob direção de Juan Bajon, e quase sempre contracenando com sua grande parceira, Sandra Morelli. A relação entre Amaral e Morelli é tão intensa que quando falamos de um, lembramos da outra, e vice-versa. São duas figuras indissociáveis da indústria pornô, assim como o casal gringo Kascha e François Papillon.
Mas Sandra Morelli – que digamos assim, não tem grandes habilidades, seja física ou cênica – não dá o ar de sua graça no Revelações Sexuais de uma Sexomaníaca, sendo substituída por Bianca Chernier, a garota de programa endiabrada que sofre paulatinas mudanças de comportamento.
A escolha de Bianca Chernier no elenco não poderia ser melhor. Além de ter uma beleza exótica, convence muito como a prostituta histérica bissexual adepta do masoquismo (que coisa, não?). Bianca Chernier convence tanto que eu afirmo: é um dos melhores trabalhos de uma atriz em um filme pornográfico da Boca do Lixo. O que é um grande feito, afinal, qualquer pessoa (qualquer pessoa mesma, não importando idade, tipo físico ou opção sexual) que estivesse pass(e)ando nas mediações da Rua Triumpho era contratada para participar dos filmes pornográficos.
Bianca Chernier tem uma beleza atraente e trabalha corretamente. Além dos tradicionais coitos papai-mamãe com Ronaldo Amaral, faz cenas quentes de lesbianismo ao lado da tatuada Ludmila Batalov. Assim como Chernier, Ronaldo Amaral, acho eu, fez o seu melhor trabalho na Boca do Lixo. Para você ter uma idéia, nos outros filmes que Ronaldo Amaral participou (Sexo a Cavalo, Loucas por Cavalo, Seduzida por um Cavalo, por exemplo) os cavalos interpretaram melhor que o próprio Ronaldo Amaral!
Apesar dos desempenhos corretos e memoráveis tanto de Ronaldo Amaral quanto de Bianca Chernier, Revelações de uma Sexomaníaca é mais um trabalho banal, supérfluo, corriqueiro e irrelevante do Juan Bajon. Não que eu tente azucrinar o chinês Juan Bajon, eu acredito no trabalho dele e na sua capacidade de direção – Taras de Colegiais, por exemplo, é um puta filme! Mas Revelações Sexuais de uma Sexomaníaca tem pouquíssimas cenas criativas – quando, por exemplo, Ronaldo Amaral conversa com o espectador, confessando que ele é um personagem de um filme pornô. Além dos poucos espasmos de criatividade, Revelações Sexuais de uma Sexomaníaca tem somente quatro personagens ao longo do filme (isso mesmo, só quatro!), o que o torna amarrado e demorado, sem norteamento.
A ninfomaníaca Bianca Chernier trabalhou também com o diretor e produtor Juan Bajon nos filmes Gatinhas Safadas e Gatinhas às Suas Ordens. Mas isso vovô conta na próxima semana, meus netinhos.
Escrito por Yúri Koch às 15h15
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Colegiais em Sexo Coletivo (1985)

“Para aqueles que acreditaram que os filmes de sexo explícito estavam de pau murcho, o ano de 1985 foi uma verdadeira e gostosa surpresa. Foram mais de 70 filmes lançados, procurando explorar todas as áreas do prazer e da sacanagem.”
Com essas esclarecedoras palavras iniciamos a resenha de hoje. Como disse o sábio jornalista Edward Janks (matéria esta republicada magistralmente na Zingu), a metade da década de 80 estava em plena efervescência cinematográfica, com uma grande produção de obras pornôs. É nesse ambiente agradável, próspero e nada evangélico que encontramos o José Mojica Marins (vulgo Zé do Caixão), introduzindo o zoofilismo no Brasil – com o grande sucesso de bilheterias 24 Horas de Sexo Explícito –, Sady Baby produzindo polêmicas aqui e acolá, e Bajon tratando do tema “juventude e colegiais”.
Após esse contexto, critiquemos, pois, com maior profundidade mais uma obra do artesão Juan Bajon, nascido na China e vivido por estas terras. Como vocês puderam ler, teci elogios dos mais empolgantes às suas duas obras analisadas anteriormente, quando ele soube ministrar com maestria os temas juventude, classe-média e degradação das pessoas na cidade grande, assuntos estes tratados no Juventude em Busca de Sexo e Taras de Colegiais, ambos de 1983. Mas o resultado final de Colegiais em Sexo Coletivo é, digamos assim, “capenga”...
Uma rápida sinopse de Colegiais em Sexo Coletivo: três casais jovens se encontram (não sei como), e vão para o lugar onde as pessoas mais podem se conhecer melhor. Você sabe onde! Na Igreja? Ou será que eles vão para um motel? E lá, na Casa da Vovó Mafalda, transam, transam e transam. E também transam!
No início, pensei que Colegiais em Sexo Coletivo era apenas um emaranhado de cenas desconexas de sexo de outros filmes da Boca do Lixo, como era muito comum na década de 80 (Carlos Nascimento e Nilton Nascimento que o digam). Mais eis que de um monte de gente feia e fedorenta, me aparece uma flor, uma pérola no meio do lixo. Sim, my friend, estou falando de Sandra Midori!
A musa sansei-japinha-safadona, que tanto encantou o povão nas salas de cinema, dá o ar de sua graça! E que graça! Contracenando ao lado de Wagner Maciel, faz o mesmo perder o fôlego e pedir arrego! O único atrativo de Colegiais em Sexo Coletivo é, sem dúvida, a japinha. Com sua pela alva e o corpo baixinho – o que só faz realçar sua áurea de boneca frágil de porcelana – Midori faz o que as outras atrizes não fazem: levantar a audiência do público. Se é que vocês me entendem...
Aliás, é bom salientar que o elenco de Colegiais em Sexo Coletivo é o mesmo do Borboletas e Garanhões (apesar deste ser infinitamente superior àquele): Sandrinha Midori, Débora Muniz – que faz o papel de uma adepta do swing – Wagner Maciel e Eliseu Faria.
Essa similitude no elenco se explica facilmente. Colegiais em Sexo Coletivo é do diretor Bajon, enquanto que Borboletas e Garanhões foi dirigido por Alfredo Sternheim. Mas ambos os filmes são da Galápagos Produções Cinematográfica (comandada por Bajon) em parceria com a Brasil Internacional Cinematográfica, distribuidora de filmes do Alfred Cohen.
Colegiais em Sexo Coletivo considero um filme menor da longa carreira do diretor Bajon. É um filme pobre, sem imaginação, criatividade ou interesse. Não empolga. Pela primeira vez na minha vida concordei com a crítica do famoso e polêmico Guia de Vídeo Nova Cultural (de novo ele!), que informa, sucintamente e de forma preguiçosa: “Casais num motel. Fraquíssimo”. Resumidamente é isso mesmo. O oba-oba descarado em um motel (o “refinado” Motel Barilhoche, cenário comum nos filmes da Boca do Lixo), com um grupo de jovens com a libido lá em cima.
Juan Bajon deixou o enredo na lata do lixo e se preocupou quase que somente com a safadeza, coisa que ele iria repetir na famigerada “fase eqüina”... Mais isso eu conto na próxima semana, porque eu tô cansado e tenho coisa mais importante pra fazer.
Escrito por Yúri Koch às 23h55
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Taras de Colegiais (1983)

Similar, muito similar ao filme Juventude em Busca de Sexo, Bajon dirigiu, na primeira metade da década de 80, o Taras de Colegiais. Certos filmes, no período explícito da Boca do Lixo, são muito semelhantes uns com os outros. Mas isso não é coincidência. Produziam-se, naquela época, dois filmes em um curtíssimo espaço de tempo (e alguns inclusive rodados simultaneamente). Assim, economizava-se com atores, equipe técnica, locações, e outros elementos que compõe um determinado filme. Esse modo de produção rápida e econômica pode ser comprovado também com o Comando de Sexo Explícito e Orgia Familiar, ambos do diretor Alfredo Sternheim, e que são, como diz a expressão popular, “cara de um focinho de outro”.
O par de atores Marcos D’Alves e Shriley Benny (ah, a Shirley Benny...), que no drama pornô Juventude em Busca de Sexo fazem o papel de dois irmãos, no Taras de Colegiais são um casal de namorados. Como pude notar, o enfoque do Bajon, antes da descarada fase “cavala” (ou “fase eqüina”, como preferem os pseudo-articulistas da língua portuguesa), é a classe-média e seus relacionamentos degradantes e perturbadores.
O jovem Marcos D’Alves é um estudante sem muitas perspectivas de vida, que tem na figura da namorada dele (Shirley Benny) um objeto para satisfazer sua libido. Mas, como nem tudo na vida são flores, Shirley Benny não participa de cenas de “tchan”, se é que vocês me entendem... Quer dizer, participar ela participa, mas não é explícito. Todas as cenas são implícitas, com ela, deixar claro. Bajon, esperto como é, tenta nos enganar. Ao mesmo tempo em que filma cenas simuladas da Shirley Benny, mostra transas explícitas de outras pessoas. E faz esse jogo de cenas e imagens, confundindo o espectador. Uma pena, pois a Shirley Benny é umas das atrizes mais “totosas” da Boca do Lixo...
Marcos D’Alves no Taras de Colegiais é um adolescente problemático. Sem grana e sem projeto de vida, acaba virando ator pornô e, de quebra, garoto de programa. Para ter um sustento financeiro, acaba se envolvendo com uma velha rica e até mesmo com um travesti (um gordo ridiculamente travestido, uma espécie brasileira de Divine, do John Waters). Como Bajon tem um gosto refinado, resolve não mostrar cenas hardcore com esses dois personagens, pois não é adepto da gerontofilia e seu público tem um posicionamento sexual claramente bem definido (ou será que você não tem, leitor?).
Feito em um período de decadência do Golpe Militar, Juan Bajon aproveita para dar umas alfinetadas no antigo regime, inserindo a trama do Taras Eróticas em um contexto político de críticas ao governo dos militares. Bajon, tido como um grande intelectual no meio da Boca do Lixo, leitor de vários livros e um grande cinéfilo, acertou mais uma vez com este bom filme versando temas de “sexo, juventude, drama e carpe diem”. Mas é claro que minha voz e opinião quase que não encontram respaldos no mundo das críticas, é uma opinião quase que solitária... Snif! Snif! Vá perguntar a qualquer outra pessoa a opinião dela sobre filmes explícitos da Boca do Lixo e você é capaz de até mesmo ser linchado! Eu me considero o “advogado das causas perdidas”...
Reza a lenda que Juan Bajon, em meados da década de 90, no seu sítio onde criava cavalos, localizado no interior de São Paulo, produziu uma série de filmes pornôs voltados para o mercado externo. O conteúdo dos seus vídeos não sei (e prefiro não saber). Mas o que realmente sei é que um dos últimos trabalhos que eu pude conferir do artesão Juan Bajon foram as fitas produzidas por ele para a atriz até então em ascensão chamada Malu Marques... Mas isso eu conto uma outra hora. Po-por hoje é só, pe-pessoal.
Escrito por Yúri Koch às 18h19
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Juventude em Busca de Sexo (1983)

Em primeiro lugar, meu povo, mil desculpas pela demora. Sabe como é fevereiro: carnaval, início de semestre letivo e alguns problemas que surgem. Mas já consegui organizar tudo. A partir de agora o blog Necrofilmes não será mais aquele mangue, aquela bagunça, com uma atualização a cada mês. Prometo que atualizarei no mínimo uma vez por semana, sempre desbravando o que há de melhor (ou pior, depende do ponto de vista), quando o assunto é cinema não-convencional...
Quando falamos da Boca do Lixo, mais precisamente a sua “fase decadente” (termo comum utilizado por nossos sábios críticos), ou seja, quando falamos da era de ouro do sexo explícito brasileiro, lembramos imediatamente de um dos seus maiores artesãos, o chinês Juan Bajon. Iniciando sua carreira como assistente de direção do crítico Rubem Biáfora, no filme A Casa das Tentações (1975), Juan Bajon realizaria, três anos mais tarde, o seu primeiro longa, o policial O Estripador de Mulheres. Mas o que importa para nós, nesse momento, é a “fase decadente”, ou seja, a fase do “rala-e-esfrega”, ou, como preferem, a fase hardcore tupiniquim.
O diretor Juan Bajon, lembrado hoje, tem seu nome associado à excêntrica série eqüina, quando a sua produtora, Galápagos Produções, produzia, aqui e acolá, longas-metragens de títulos inusitados: Sexo a Cavalo (1985), Seduzida por um Cavalo (1986), Garota do Cavalo (1986) e outros cavalos. Quase todos estrelados pela dupla Sandra Morelli e Ronaldo Amaral, e com participações pra lá de especiais da musa Márcia Ferro.
Um pouco antes dessa fase, é verdade, Bajon fez bons filmes pornôs. Não que eu não goste de fase “cavala” do Bajon, mas é um tanto quanto repetitivo, sem muita criatividade. E um dos meus preferidos do senhor Juan é o Juventude em Busca de Sexo (1983).
Como a pornografia estava quase começando nos cinemas brasileiros, isso no início dos anos 80, Juventude em Busca de Sexo tem suas cenas de sexo explícito um pouco tímidas, dando a entender que, até a metade do filme, estamos assistindo a uma produção erótica. Porém, isto não é um ônus, é um bônus: Juventude em Busca do Sexo é um dos filmes explícitos da Boca do Lixo que mais desenvolve com maestria o enredo, sem se preocupar em mostrar, de forma desconexa, o “bem-bom”. Nunca antes na história do Brasil (frase emprestada de um político), um filme mostrou cenas de sexo tão bem inseridas no contexto da trama.
A ninfetinha (e gostosinha) Shirley Benny (uma das presidiárias do clássico de filmes de prisão Curral de Mulheres) é a personagem principal do Juventude em Busca do Sexo. Na trama, ela e seu irmão – o ator Marcos D’Alves – vêem-se, de uma hora para outra, jogados em um mundo rude e ríspido, após a morte dos seus pais em um acidente de carro. Shirley Benny engravida do filho do seu patrão, dono de um restaurante, e Marcos D’Alves vê-se perdidamente apaixonado por uma garota de programa.
Ambos passam a se virar sozinhos, da forma com podem, e vão descobrindo, aos poucos, como o meio social fragiliza e destrói pessoas. São os adolescentes que, repentinamente, devem agir como adultos para poder sobreviver em um mundo cão. A vida como ela é, sem rodeios e sem maquiagens (onde foi que eu escutei essa frase mesmo?).
Obviamente, o Guia do Vídeo tem aquele mal-humor costumeiro para com o Juventude em Busca de Sexo, dizendo que tem “mais falação do que ação nesse filme erótico nacional quase implícito, com pretensões a painel social... Aborrecido e ultrapassado”...
Mas que vá pra merda o Guia do Vídeo e sua crítica dantesca e preconceituosa, cheia de chiliques e viadagens. Juventude em Busca de Sexo é um dos melhores do diretor Juan Bajon. Ele consegue imprimir, como poucos, um drama social sincero que aos poucos entrelaça os personagens até o seu desfecho irremediável. Juventude em Busca do Sexo é uma obra densa, que retrata de forma crua as situações cotidianas e, de certa forma, banais, em que todos nós estamos obrigados a viver nas cidades.
Shirley Benny também trabalhou com Marcos D’Alves no Taras Eróticas, também do senhor Bajon. Mas isso é assunto para próxima semana.
Escrito por Yúri Koch às 15h30
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Tô de volta!

Macacada, após minhas merecidas férias, estou aqui de volta com tudo! Cheguei aqui no nosso Necrofilmes com a força toda para este ano de 2008! Muitas novidades nos aguardam, muitas resenhas e (pseudo)análises de filmes obscuros...
Na foto, dois cartazes antigos originais de cinema da Boca do Lixo do acervo Necrofilmes: Delícias do Sexo Explícito e Início do Sexo (tomara que não tenha nenhum evangélico lendo o meu blog...)
E não se esqueça, todo dia primeiro do mês o Acervo Necrofilmes é atualizado. Portanto, foram adicionados mais de 200 filmes raros. Clique em Acervo parte 1 e Acervo parte 2 e confira! Em poucos dias começo a resenhar filmes. Como dizem os gringos: Coming soon...
Escrito por Yúri Koch às 19h46
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Sady Baby volta a atacar

Retirem as crianças da sala! Tirem a vovozinha de casa, urgente! O colega Gio Mendes, jornalista e biógrafo do cineasta gaúcho Sady Plauth Baby, afirma: Sady Baby saiu dos aposentos e voltou a filmar!
Mestre Sady Baby, para os desavisados, ganhou grande notoriedade nos anos 80 com seus filmes pornográficos. Sempre tendendo ao dantesco, mostrou todas as formas possíveis de perversões sexuais, chegando a ser até mesmo preso durante um certo período, por um fato que não vale a pena ser registrado neste momento. Afinal, quem é Sady? Louco? Gênio? Psicopata? A única certeza é que Sady é uma pessoa extremamente polêmica...
Sady Baby tem na sua bagagem grandes clássicos do cinema explícito, verdadeiros cults do cinema pornográfico. Entre eles a série Ônibus da Suruba e o famigerado No Calor do Buraco.
Atualmente Sady é idolatrado por uma legião de fãs, não só no Brasil, como também nos E.U.A. e na Europa. Seus filmes, geralmente com imagem regular, circulam pelo mundo em cópias de VHS e mídia digital.
Agora, com esta notícia, nos sobram algumas dúvidas. Será que o Mestre perdeu a majestade? Será que esse é o primeiro passo para reestruturar e modificar a pífia e ridícula produção pornô brasileira que nos assola atualmente? Será que irá romper o método POV-Buttman que contaminou os filmes adultos? Será? Será? Somente o tempo poderá nos responder...

Recado 2: O diretor Rafaelle Rossi, o pioneiro do cinema pornográfico brasileiro, veio a falecer recentemente. Natural de Arsenio, Itália, Rafaelle Rossi dirigiu o primeiro filme pornográfico do Brasil, o clássico Coisas Eróticas, de 1981.
Recado 3: Não deixem de conferir a bombástica entrevista que o cineasta Sady Baby deu à revista eletrônica Zingu (essa notícia é tão velha que acho eu todos já devem ter lido).
Escrito por Yúri Koch às 15h26
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Meu Cachorro Meu Amante (1987)

Responda rápido: Quem foi o maior garanhão do cinema de sexo explícito tupiniquim?
a) Anão Chumbinho
b) Oswaldo Cirillo
c) Walter Gabarron
d) Bernardão
Você, nobre leitor que acompanha o blog Necrofilmes, certamente marcou a letra “A”. Mas, porém, no entanto, todavia... O título vai para... Bernardão! Mas quem diabos é “Bernardão”? Bernardo (ou Bernardão para os íntimos) é, nada mais nada menos, que o cidadão (!) que ilustra a capa deste filme. Mas será possível? Bernardão é um... é um... É um cachorro??!!
O Brasil, nos anos 80, viveu com certeza o maior momento de criatividade e ousadia que o mercado pornográfico já viu em todo o mundo. Isso é fato. Anos 80, período em que você, ou seu pai, ia aos cinemas assistir, sem pudores, a filmes chamados “Alucinação Sexuais de um Macaco”, “Emoções Sexuais de um Jegue”, “Emoções Sexuais de um Cavalo”... E por aí nós vamos.
No ano de 1986, Custódio Gomes realizou um filme de título um tanto quanto inusitado. “Título inusitado” é, de uma certa forma, um pleonasmo, um vício de linguagem, uma vez que é uma missão impossível você encontrar qualquer filme de sexo explícito da Boca do Lixo que não tenha um título bizarro, excêntrico, engraçado, escroto, e outros adjetivos. O filme em questão é “Aberrações Sexuais de um Cachorro”, que narra “as estripulias eróticas de um São Bernardo louco por mulheres”, como afirma o meu livro de cabeceira Guia do Vídeo Nova Cultural do ano de 1991, que eu valorizo e odeio ao mesmo tempo. Gosto por ser um documento histórico, que registrou um perídio importante (e muito criticado) do cinema brasileiro. Odeio pelo fato do mesmo livro ser mal-humorado, preconceituoso e ter uma ironia um pouco retardada.
Custodio Gomes, mais conhecido pelas pessoas como o diretor de Alucinações Sexuais de um Macaco, “contratou” o Bernardão para que o mesmo estrelasse um filme seu. Bernardão, obviamente, dá conta do recado. Em meio a várias mulheres em uma casa de campo (que lugar melhor para se fazer filmes com elementos zoofílicos que uma fazenda?), Bernardão usa e abusa da safadeza. Aberrações Sexuais de um Cachorro, anterior ao Meu Cachorro Meu Amante, atraiu 17.542 pessoas em quatro semanas de exibição. Fosse hoje, se tivesse um filme com esse nome em cartaz, ninguém ia. Só uma pessoa... Quem será?
Meu Cachorro Meu Amante é a continuação de Aberrações Sexuais de um Cachorro, com o cachorro São Bernardo e um elenco comum da Boca do Lixo, estrelando Márcia Ferro – numa aparição vapt-vupt no início – e mais o casal Gabarron (Eliane Gabarron, por sinal, usa uma ridícula piruca loira). Destaca-se ao longo do filme, como obviamente não poderia deixar de ser, as cenas pitorescas titularizadas por Bernardo, com direito a closes escalafobéticos de penetrações e as mais diversas posições sexuais, que nem sequer o velho Kama Sutra conhecia!
Não sou louco de afirmar que o filme Aberrações Sexuais de um Cachorro é agradável, “bonito” ou algo do tipo. Serve apenas com um curioso registro de uma época do Brasil em que as pessoas se despiam de certo preconceitos, entravam nos cinemas e estavam prontas para o que der e vier...
Sabe, a coisa mais difícil do mundo é você fazer uma crítica de um filme. Ainda mais quando é um filme pornô. Ainda mais quando é um filme pornô da Boca do Lixo. Realmente é difícil, mas realmente eu me esforço...
Escrito por Yúri Koch às 23h31
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Meu Amante Meu Cavalo (1992)

Estamos no ano de 1992. A Boca do Lixo está na UTI, prestes a ser enterrada. A indústria pornô brasileira entra em colapso. As estrelas que brilharam nos cinemas, encantando a platéia com suas estripulias libertinas, desaparecem. Cadê o Chumbinho? Onde foi o Mestre Sady Baby? E a Sadrinha Midori? As coisas começam a se complicar...
– Moço, mi qué trabaiá num filme pornô...
– Muito bem minha filha, quais são as suas qualificações?
– Óia moço, eu fui Miss Bum-Bum 1992...
– Tá contratada! Tá contratada!
Eu não estava lá no local na época, mas bem que pôde ter sido assim o primeiro encontro entre o diretor Alcides Caversan e a Kátia Alves. Juntos, os dois conseguiram a façanha de ter feito o mais escalafobético filme pornô brasileiro ambientado na roça, o chamado pornô-rural.
Meus Amantes Meu Jegue, também conhecido por Meu Amante Meu Cavalo, ambienta-se em um sítio qualquer de um lugar qualquer. Emaranha-se no interior do Brasil para descobrir o seu povo, a sua gente humilde, menosprezada. Somos apresentados a duas pessoas. A primeira é Kátia Alves (que realmente tem uma bela bunda). A outra pessoa é um João Ninguém cujo nome não me recordo agora, não sou bom em decorar nomes de personagens. Vamos chamá-lo então de Cornélio. Se é que vocês me entendem...
Cornélio é interpretado nada mais nada menos por Renato Alves. Quem gosta da Boca do Lixo e nunca ouviu falar no Renato Alves, boa pessoa não é. Renato Alves, natural do Paraná, foi o co-diretor de vários e vários filmes do grande Mestre-dos-Mestres Excelentíssimo-Senhor-Supremo-Doutor Sady Baby. Juntos, dirigiram as maiores preciosidades pornôs de toda a história interplanetária. Entre eles o cult-movie Ônibus da Suruba, de 1990.
Vamos então ao Meus Amantes Meu Jegue (ou, como preferir, Meu Amante Meu Cavalo). Logo pelo título, notam-se resquícios, ou melhor, influências da Boca do Lixo, mais precisamente do ex-diretor Juan Bajon e da sua lendária Galápagos Produções. É forte o elemento eqüino em tal produção. Kátia Alves, além de transar com toda a caipiragem, menos com Cornélio (não sei se vocês me entendem), sacia sua depravação sexual com... um cavalo?! E Kátia Alves foi corajosa, viu? Na sua performance eqüino-erótica, ela bota realmente a boca no trombone... Se é que vocês me entendem...
Apesar de reconhecer a sinceridade da obra de Alcides Caversan, diretor este que só vi um filme até agora, declaro o total desleixo que paira sobre todos os elementos de Meus Amantes Meu Cavalo. Tudo é muito ruim, muito porco. As interpretações são canhestras, a edição é tosca. O enquadramento da câmera é infantil. É incrível como tudo conseguiu sair um lixo. Até acho eu que tal filme foi rodado em apenas um dia e sem dinheiro nenhum. Mas o pior de tudo é a trilha sonora, que irritou os meus ouvidos e, de tão bizarro, estou com elas até agora na mente, composta pelo Douglas. Parabéns Douglas, você é um grande compositor! Arf!
Entre os filmes do gênero pornô-rural feitos após o ano de 1990, eu recomendo sem pudor o hilariante Jeca Erótico no Reino da Bicharada. Inclusive, o meu colega Armando de Oliveira é amigo do filho do Dorival Coutinho, autor do Jeca Erótica. Que coisa, não?
E não se esqueça: Acervo atualizado com mais de 160 preciosidades. Clica aqui e confira!
Escrito por Yúri Koch às 23h12
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Sexo Proibido (1984)

Falar da Boca do Lixo é falar de Antônio Meliande. Nascido na Itália em 1945, veio para o Brasil logo quando moleque. Após uma longa experiência na produção cinematográfica da Boca do Lixo, onde demonstrou habilidade como diretor de fotografia, assumiu a direção pela primeira vez em 1977 com o clássico Escola Penal de Meninas Violentadas, produzido por Antônio Pólo Galante.
Já na metade da década de 80, usando o pseudônimo de Tony Mel, Antônio Meliande passou a rodar filmes de sexo explícito. Sua estréia, gloriosa, bom registrar, na fase hardcore foi com o sensacional Sexo Proibido, em 1984.
Sexo Proibido retrata a angústia de um homem impotente (interpretado pelo ator André Soler), e sua tristeza em não se satisfazer sexualmente e não conseguir agradar a esposa. Disposto a reverter o problema, decide ir ao médico. Ou melhor, à médica. Lá, a profissional constatando o problema do coroa, manda o mesmo ir a uma praia, para tentar se “curar”.
E lá vai ele de malas prontas para sua viagem à praia, com fins um tanto quanto terapêuticos. Como não poderia deixar de ser, o azarado (ou será “sortudo”?) vai a uma praia... Deserta, claro. Hum... Não é tão deserta assim... Afinal, estamos em um filme pornográfico... E... Hum.. E não é que ele vai acompanhado... E bem acompanhado? Mas para que boa companhia se a máquina está emperrada? Alegria de pobre dura pouco, meu filho.
Na Boca do Lixo em seu período explícito, os cenários mais freqüentes dos filmes eram os quartos, que guardavam os seus segredos (e seus gemidos) entre quatro paredes. Porém, é notável a quantidade de filmes rodados em praias desertas. Elemento este, digamos assim, “erotizante”, que estimula os prazeres da carne e da mente, atiçando mais o imaginário do espectador. Afinal, praia deserta sempre teve destaque no inconsciente sexual das pessoas. Praia é sinônimo de erotismo, corpos à mostra. E o diretor Antonio Meliande sabe criar cenas de intenso erotismo, um verdadeiro artesão.
Impotente, o herói do Sexo Proibido se consola como um simples voyeurista (pensei que nunca ia escrever esta palavra na vida). Sexo Proibido possui mais cena voyeurista (opa, olha eu usando pela segunda vez na vida esta palavra!), do que cenas explícitas.
O voyeurismo agrada. Bem trabalhado, soa mais prazeroso e agradável do que a depravação explícita. É bonito você ver a belíssima atriz Aryadne de Lima com suas saias curtas esvoaçando na praia, tentando seduzir e levantar “o preguiçoso”. Aliás, o elenco feminino de Sexo Proibido, é bom avisar, é impecável. Tirando a orgia final da praia, com direito a “Creuzas”, “Zucrélias” e um travesti-asqueroso, as outras mulheres são belíssimas mesmo. Aryadne de Lima e a baiana Shirley Benny são, como diria meu avô, um colírio para os olhos.
Sexo proibido reveza entre o voyeurismo do protagonista e sua fúria descontrolada por ter o dito cujo, digamos assim, deitado eternamente em berço esplêndido. Até mesmo chega a contracenar com seu próprio Bráulio, em cenas muito engraçadas. Eis uma das falas:
P – Pô, eu não acredito que você está fazendo isso comigo. A mulher nuazinha ali na minha frente, e você sem fazer nada? Isso é ingratidão! Eu sempre dei comida a você, e é assim que você retribui? Até parece gato de armazém, vive deitado em cima do saco!
O competente diretor Antônio Meliande, na mesma época, dirigiria Sexo Total, também com o ator André Soler e filmado também em uma praia naturista. Quem gosta dos filmes da Boca do Lixo, não tem do que reclamar ao término de Sexo Proibido. Somente agradecer ao diretor Antonio Meliande por tudo o que representou para nós, povo brasileiro! Tenho dito.
Escrito por Yúri Koch às 21h30
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Comando Explícito (1986)

Entre os diretores da Boca do Lixo, o paulistano Alfredo Sternheim foi um dos mais atuantes. Ao contrário da maioria dos cineastas de cinema explícito, Alfredo nunca usou pseudônimo, e pagou caro por isso.

Em 1986, Alfredo Sternheim dirigiu o filme Comando Explícito, sobre um homem extremamente obcecado por uma garota, que se utiliza de todos os meios para tê-la, praticando seqüestros e outras barbaridades.
Assim como Joe D’Amato e Jess Franco faziam na Europa, Sternheim se utilizou de uma fórmula um tanto quanto econômica: rodou dois filmes praticamente no mesmo tempo, como o mesmo elenco e mesmos cenários. Comando Explícito foi filmado logo após à Orgia Familiar, ambos feitos para a Danek Produções. Os atores principais são os mesmos: Wagner Maciel, Daliléia Ayala e Rubens Pignatari. Orgia Familiar, também de 1986, trata sobre a aproximação de um estranho a uma família classe-média, e sua paixão exacerbada para com a mais jovem dessa família, interpretada por Daliléia Ayala. Esse amor platônico entre um adulto e uma criança foi tratado com mais ousadia no Comando Explícito.

A atriz Daliléia Ayala é tão jovem, mas tão jovem, que não aparece em cena hardcore, talvez para não confrontar a censura na época. Mesmo assim, aparece nua no início, fazendo um strip-tease para as câmeras e tomando o tradicional banho de chuveiro.
Vamos, então, à história. Em uma família classe-média, temos os tradicionais personagens: O pai de família (papel bem representado por Rubens Pignatari), tem um caso com a empregada doméstica; a mãe, que se torna totalmente irrelevante na história, e a filha dos cônjuges, apaixonada por seu namorado. Será virgem ela? Vamos a um diálogo entre esse casal:
– Amor, vamos viajar nesse final de semana?
– Mas é claro! Aonde esse cabacinho vai, eu vou!
Então já sabe, né leitor? Nada de deixar sua filha viajar com o namorado, a não ser que você queira virar vovô! O desfecho da cena apresentada acima é mal filmado, a câmera está totalmente mal posicionada e o rápido blowjob passa quase que despercebido.
Para perturbar esse namoro, somos apresentados, logo no início, a um estranho homem, portador de uma obsessão para com a moça da história. Sua compulsão em se relacionar com a jovem é tão grande que chega a perseguir a coitada em plena saída da escola (quando eu falei que a atriz Daliléia Ayala era bem moçoila, não estava brincando). Pois bem. Para conseguir concretizar o amor não correspondido, o antagonista da trama decide formar uma quadrilha de marginais. No primeiro assalto, eles vão justamente a um prédio onde só tem mulheres! Por que será? Assim como Einstein tem a sua Teoria da Relatividade, eu tenho a Equação Necrofilmes:
Homens brutos + mulheres indefesas = tchaca-na-tcheca
Quem conseguiu desvendar a complexa Equação Necrofilmes, não precisa saber o que aconteceu no prédio. Aliás... Hum... Analisemos a questão. Antes mesmo dos assaltantes anunciarem o estupro iminente, as mulheres já estão abrindo as pertas e coisas mais. Isso que é gostar de ser estuprada, hein? Mas cada qual como seu feitche... Após a esse “assalto sexual” bem sucedido, a quadrilha segue então para o seu plano mais mirabolante: tentar assaltar o prédio da mocinha indefesa. Conseguirá o namorado da moça indefesa impedir o assalto? Conseguirá ele proteger a sua amada das garras desses seres nefastos? Oh, e agora, quem poderá ajudá-los?
Apesar de semelhantes, Comando Explícito é inferior à Orgia Familiar, uma vez que neste são explorados mais os sentimentos das personagens, a psicologia do sexo, enquanto no Comando Explícito, Alfredo Sternheim se desvirtua um pouco da história e acaba criando cenas e personagens desnecessários e algumas cenas de sexo mal filmadas. Sem falar no final com direitos a tiros de bala e tiroteio para tudo que é lado, no melhor estilo Afonsa Brazza.
Vale ressaltar que Alfredo Sternheim, também no mesmo ano de 1986, rodou outros dois filmes que têm semelhanças no elenco, trama e cenários, o Sexo Proibido e Sexo Livre.
Escrito por Yúri Koch às 13h15
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Quatro Noivas Para Sete Orgasmos

É muito comum, dentro da vasta produção cinematográfica pornô, a feitura de um subgênero | | |