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Necrofilmes: Obscuridades da 7º Arte


Autópsia 2

Autópsia, s. f. Exame atento de si próprio; (Med) exame médico das partes internas de um cadáver; necropsia; (Do gr. Autopsia.)

 

Se dos EUA encontramos os clássicos Traces/ Faces of Death e do Japão a infame série “multicolorida” Death File, o quê o Brasil apresenta em se tratando dos perversos e polêmicos shockumentaries?

Em 2002 Lula chegou à Presidência da República, e no mesmo ano chegou às locadoras mais um exemplar tardio do interminável (e reciclável) rol dos documentários apelativos e sensacionalistas. Aqui, com um diferencial: não seria mais um enlatado vindo da América do Norte ou da Ásia, e sim um produto genuinamente brasileiro. Ao contrário dos outros death documentaries, o produto genuinamente nacional não tem um conteúdo abrangente e eclético de cenas atrozes. A especificidade do documentário vem no próprio título. O que, de certa forma, é uma grande e inovadora jogada de marketing.

Necrofilmes, após saber da existência de dois desconhecidos shockumentaries nacionais, saiu à procura. Contatos aqui, telefonemas ali, pesquisas acolá, passado algum tempo, chegou em minhas mãos o Autópsia 2; o primeiro ainda não vi dando sopa, devido à raridade de ambos.

Mas por que alguém, na sua sã consciência, locaria ou compraria um documentário intitulado Autópsia? Não posso responder pelos outros, respondo por mim mesmo. Necrofilmes, apesar de ser um blog que retrata ótimos e clássicos filmes de horror e ficção científica, também é uma caixa de ressonância magnética do lado negro da sétima arte. Uma espécie de jornal informativo dos mais insólitos e estranhos VHS lançados no país. Explicação emitida, vamos às vias dos fatos.

Dizia eu que o Autópsia foi lançado há quatro anos atrás. À medida do desenrolar do documentário, as bizarrices vão aparecendo e aumentando. O primeiro fato é, no mínimo, escalafobético: a distribuidora que a lançou é a Fallms, especializada em filmes pornôs (!), filiada à famosa Brasileirinhas! Após um pequeno tempo de reflexão, a melhor conclusão que eu cheguei sobre isso é que a Fallms resolveu diversificar os seus raios de produção e distribuição de vídeos, tentando morder um pedaço da grana que tais documentários ocasionam. Essa é a conclusão menos bizarra a que o Necrofilmes chegou...

A Fallms, diga-se de passagem, lançou no Brasil o DVD do ultrapolêmico Bumfights, com o título de Violência Urbana.

O tempo de duração do Autópsia 2 é de 60 minutos, com três cenas de necropsia. Tais cenas, diga-se de passagem, revelam a cara do Brasil: médicos com instrumentos precários e enferrujados, em salas imundas. Ou seja: um açougue dos mais escabrosos.

O shockumentary Autópsia 2 é mostrado de forma extremamente técnica, com vocabulário rico e detalhado de conceitos químicos, biológicos e anatômicos que somente os médicos têm a capacidade de formular. Certamente José Gaspar, o responsável e diretor do Autópsia (sim, a obra tem diretor e produtor executivo!) pediu autorização de médicos-legistas para as gravações, sempre com o cuidado de não mostrar a face dos “pacientes” (não encontrei palavra melhor), e, com isso, ter as chances de ser processado pela Justiça diluídas. Atualmente, José Gaspar dirige filmes pornôs, que conta inclusive com Alexandre Frota e pornoatrizes dos EUA no elenco.

 



Escrito por Yúri Koch às 21h22
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Antonio e Cleopatra

 

 

O Brasil é uma verdadeira catástrofe quando o assunto é filmes importantes do gênero horror/exploitation lançados no extinto mercado de VHS. Muitas das produções dos ciclos italianos de zumbis e canibais foram apresentadas nos cinemas nacionais nos idos anos setenta, mas não lograram êxito no mercado de vídeo, motivos estes que são uma grande incógnita até hoje não desvendada.

Tomando-se como exemplo Joe D’Amato, percebe-se a noção da gravidade do problema. Diretor de uma vastíssima e eclética filmografia (registrando-se aqui exemplos clássicos de Emanuelle in América e Emanuelle and the Last Cannibals – e muitos, mas muitos outros), Joe D’Amato pode ter suas obras encontradas no Brasil principalmente as do período pornográfico, na década de 90, pouco antes de morrer.

Necrofilmes, além de ter o raro VHS nacional Calígula – The Untold History (exploitation não-explícito), encontrou cinco produções pornográficas do maestro dando sopa.

Dirigido por Joe D’Amato em 1996, Antonio e Cleopatra tem no elenco a famosa brasileira Olívia Del Rio.

Com ares de superprodução – levando-se em conta a precariedade orçamentária da grande maioria dos lançamentos da indústria pornô – Antonio e Cleopatra, como pôde perceber o leitor observador deste blog, retrata o Império Romano, e seus eternos personagens enraizados na memória de todos nós: Júlio César, Cleópatra e Marco Antonio.

Para saber o por quê da presença estonteante da brasileira Olívia Del Rio no cast, é necessário fazermos um estudo rápido de geografia (acompanhados do Almanaque Abril!).

Na pauta das exportações do Brasil, temos no minério de ferro, suco de laranja, soja e aviões os expoentes das divisas internacionais do País. Mas o que todos deixam de comentar é a inusitada presença, na balança de exportações, dos jogadores de futebol e das mulheres.

Olívia Del Rio (assim como a Elle Rio) nasceu em Minas. 12º filha de um total de 16 crianças na prole, abandonou a família mineira e emigrou para os Estados Unidos, onde se dedicaria, de carne e osso, às produções pornôs.

Criticando agora a produção italiana Antonio e Cleopatra, o maestro italiano Joe D’Amato deixou muito a desejar. Com um elenco de apoio formado por mulheres ruminantes, cenas de sexo mal filmadas e roteiro arrastado, Antonio e Cleopatra é uma pedra no sapato de Joe D’Amato, que certamente devia estar pouco inspirado ao ter dirigido tal blasfêmia (ao contrário de suas outras obras explicitas). Pode-se notar que a beleza e a lascívia da mineira-egípcia Olívia Del Rio é a única que o salva do mais completo fiasco. Viva o Brasil!

Antonio e Cleopatra saiu no extinto mercado de vídeo com o título Cleópatra, A Rainha do Sexo, pela Vídeo Lips. Pode ser encontrada, não com muita dificuldade, em locadoras XXX de bom acervo.

 



Escrito por Yúri Koch às 18h41
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