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Necrofilmes: Obscuridades da 7º Arte


Strike Commando

Inicia-se Strike Commando e logo de cara, nos letreiros, somos apresentados ao seu realizador: Vincent Dawn. Vai por água abaixo todo clima de esperança que estava aglutinado sobre o filme. Ou vibrações contagiantes se formam se você for seguidor ferrenho da doutrina “Quanto pior, melhor”. Necrofilmes, entusiasta do cinema trash, vibrou, se contagiou e foi contagiado.

Vincent Dawn é nada mais nada menos que o pseudônimo de Bruno Mattei, o rei do Euro Trash. Diretor de inúmeras obras-primas do cinema-lixo (Rats: Night of Terror, Zombi 3 e Hell of the Living Dead), Mattei aqui nos brinda com uma estúpida imitação de Rambo.

A sinopse é basicamente essa: após ver seu esquadrão dizimado pelo inimigo, o oficial norte-americano Michael Ransom (o ator Reb Brown, que fez o ridículo filme trash do Capitão América), é torturado por vietnamitas, liderados por dois oficiais russos. Tiririca com a chacina comunista, executa sua vingança catastrófica.

Vamos esmiuçar melhor Strike Commando. Tudo começa em uma tentativa, no Vietnã, de destruir uma base inimiga. O esquadrão “Cobra Command” consegue explodir o local, só que os soldados dessa elite do Exército ianque vão juntos pelos ares também. Único sobrevivente dessa investida mal-sucedida, oficial Ransom é acolhido por uma comunidade vietnamita. Saudado como um Deus pelos locais, ele logo deixa claro que está representando os EUA no Vietnã para defender o bem, as causas nobres do homem e da civilização, e aniquilar a ameaça comunista na área. Entre os amigos e simpatizantes da causa que Ransom conquista está um menino. Ao longo da trama, presenciaremos, atônitos e inconformados, aos sorrisos, abraços e piscos de olhares que o oficial ianque e o menino trocam constantemente.

Vale lembrar, antes de prosseguirmos o filme, a época e a situação do mundo e da Itália. No ano de 1987 (produção do Strike Commando) a URSS e a Guerra Fria estavam dando seus últimos suspiros. Ou seja, o modo de vida capitalista era imposto a todas as pessoas como o “bem”, e a União Soviética era a representação do “mal”, essa ladainha do dicotomismo até hoje muito em voga. E a Itália, celeiro do modo de vida americana, produzia muitos filmes com elencos amadores da Europa e da Ásia para distribuir nos EUA, americanizando os nomes do elenco. Isso porque, com todo mundo sabe, os americanos não gostam de locar ou assistir filme que não sejam do seu país.

Voltando ao filme, o oficial Ransom descobre a presença de oficiais russos no Vietnã por causa de um broche, em forma de estrela vermelha, encontrada na mão de uma das vítimas da barbárie soviética. Essa foi a melhor idéia que saiu da mente do roteirista Claudio Fragasso, incansável parceiro de Bruno Mattei.

Após muitos tiroteios fajutos, onde até que não foi atingido por chumbo cai morto no chão, após ver cenas (retiradas descaradamente de outros filmes) de helicópteros voando e riscando o céu, o oficial Ransom, abraçando o corpo morto do seu amigo (aquele menino...), profere uma pérola das mais bizarras já vistas em filmes de guerra: “Não, não morra! Eu queria te levar à Disneylândia! Lá íamos comer muito sorvete e chocolate!”.  

Depois de muitas reviravoltas, finalmente há o encontro entre o oficial do Strike Commando e o temido agente soviético, de nome Jakoda, um ser totalmente desprovido de sentimentos humanos. O perfeito estereótipo: é grande, forte, violento e careca.

As circunstâncias desse duelo são meio inusitadas. Ransom, depois dizimar um oficial norte-americano que o traiu, perambula pelas ruas das Filipinas (sim, nós já estamos lá a essa hora!). De uma forma abrupta, o agente soviético Jakoda pula de uma moita (!) e ataca nosso herói americano. Ransom, como é um perito em lutas e batalhas, arranca uma granada que guardava consigo (!) e enfia na boca do pobre Jakoda, que é explodido violentamente. Com a explosão, a dentadura que estava na boca do comunista voa e vai em direção ao Rambo. Perdão, Ransom (ei, meio parecidos, não?).

Ransom dá uma olhada na dentadura e fecha o filme com esta bela frase:

“Os dentistas russos fazem boas dentaduras, não?”.

Strike Commando foi lançado no Brasil com o título de Comando de Ataque, pela AB Vídeo. O dono dessa distribuidora, Alberto Bitelli, em uma matéria concedida à revista Vídeo News nº 61, achou que ia ter sucesso nessa empreitada. Aqui a íntegra da nota na revista:

“A falta de bons títulos para comprar e assim poder lançar em vídeo selado é uma das queixas constantes das distribuidoras. Mas algumas estão procurando alternativas, não exatamente entre filmes de grande sucesso, mas em produções de qualidade, embora às vezes esquecidas. Uma das empresas que partiu para esse caminho foi a AB Vídeo Internacional, de Alberto Bitelli... que lançou Comando de Ataque (Strike Commando)”.

Vale lembrar que, segundo conversas com meu amigo Titara Barros, fiquei sabendo da existência da continuação de Strike Commando no Brasil.

Desculpem-me pela resenha grande, é que eu me empolgo!

 



Escrito por Yúri Koch às 19h25
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