O escabroso universo de Tamakichi Anaru



Já é sabido que a produção mais extrema da atualidade vem do Japão. Mas o que muitos desconhecem é a imensidão e a abrangência do extremismo que o cinema nipônico proporciona.
Psycho: The Snuff Reel (também conhecido como Niko Daruma), feito no ano de 1998, retrata o sombrio universo dos snuff movies – filmagens verídicas de cenas propositais de assassinatos com o único objetivo de vendê-las clandestinamente.
Se os EUA ousam citar e circular em torno da possível existência do gênero, através do péssimo 8 MM ou do mediano Hardcore – No Submundo do Sexo, só para citar alguns, os japoneses vão mais longe, anos-luz ao “cinema honesto e limpinho” dos EUA. A produção cinematográfica nipônica joga a violência e o mau-gosto na sua cara, sem meio-termo.
Niko Daruma diferencia-se até entre as próprias famosas produções japonesas sobre o assunto, como Guinea Pig, Muzanza e Evil Dead Trap, porque, além da abundância do gore, contém cenas de sexo explícito. Pode-se dizer que é uma versão extrema de filme pornô nipônico.
Saída de um carro com seus parceiros de filmagens, uma japonesa (dentuça, por sinal) entra em uma casa para as gravações do novo vídeo amador pornográfico. E o sexo rola solto realmente; porém, como estamos falando do Japão, dê-lhe irritantes mosaicos e censuras óticas, comum por causa do rígido código de disciplina do Japão, que obriga também os Hentais, qaudrinhos eróticos do país, a ter mosaicos. Vá entender...
Depois de muito abafa-abafa dentro da casa, a equipe técnica do vídeo pornô amarra a coitada em uma cama, para posteriormente a desmembrar por completo.
Interessante é salientar a metalinguagem do Psycho – The Snuff Reel. Assim como seu conterrâneo Muzanza, contém cenas de assassinatos costuradas à própria narração, como se nós observadores presenciássemos, atônitos e silenciosamente, as vítimas indo para a guilhotina, sem saber. Nós não sabemos se estamos assistindo a um filme sobre snuff movie, se estamos assistindo a um snuff movie ou se a ambos.
Calma leitor! Não estou falando de assassinatos verídicos! A existência dos “filmes malditos” até hoje não foi comprovada. Os escabrosos assassinatos são apenas maquiagens e efeitos gore da competente equipe técnica japonesa, comandada pelo próprio diretor Tamakichi Anaru. Diretor versátil, Tamakichi, além da direção e maquilagem, faz o papel do diretor do vídeo pornô amador. Ou seja, interpreta ele mesmo!

Outro realizado por Tamakichi Anaru é Women’s Flesh. O quê dizer de um “filme” de apenas 50 minutos, totalmente em japonês sem legendas (e quase sem diálogos), sobre mulheres cometendo automutilações e suicídios? Não sei tecer comentários, nem do ponto de vista técnico, nem do ponto de vista ético. Women’s Flesh é constituído por 2 segmentos de mulheres em fase terminal de loucura. Na primeira cena, uma japonesinha começa a despedaçar seu próprio corpo no banheiro, desfrutando também do paladar que tais pedaços da carne a proporciona, uma espécie de autocanibalismo. Na próxima cena, lugar que não consegui descobrir o que era, acho que um quartinho, outra japonesa (sempre elas!) se autodestrói, utilizando os instrumentos cortantes mais diversos para essa finalidade.
A fotografia de Women’s Flesh, já não bastasse a própria essência dele, através de constantes pontilhados escuros monocromáticos na imagem, ajuda na criação dum puta clima insano e retardado.
Após o término do estranhíssimo Women’s Flesh, e para completar com chave de ouro tanta demência, dê-lhe o trailer do infame shockumentary Rare Dead Person, amontoado de cenas captando dezenas e dezenas de corpos e fetos mortos, ao som de uma sinistra música que conseguiu alucinar este que vos escreve.
Tamakichi Anaru é apenas a ponta do iceberg desse verdadeiro lado negro do mundo. Quem serão os outros?
Escrito por Yúri Koch às 08h47
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