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Necrofilmes: Obscuridades da 7º Arte


JOY OF TORTURE: HELL´S TATTOERS

 

Quando eu falei que no Japão a carnificina rola solta, não estava de brincadeira. Recentemente chegou às minhas mãos uma fita selada nacional que comprova o que disse. Finalmente assisti a um exemplar do infame Joy of Torture, que teve três filmes da série lançados no Brasil, sob o título de Sadismo de Shogun, pela distribuidora Top Tape.

Para os desavisados, Joy of Torture retrata e as barbaridades cometidas no Japão durante a época medieval, mostradas da forma mais explícita e grotesca possível, algo impossível de se fazer aqui no Ocidente, até mesmo passados 37 anos de sua realização.

Ao contrário dos outros dois títulos da série, o foco principal de Tortura Infernal não é a tortura e punições capitais propriamente ditas, e sim a infame competição de tatuagens.

No país do Sol Nascente, mulheres são raptadas e recrutadas em presídios para serem tatuadas, com o objetivo de vencer a importante competição da arte de cobrir o corpo, na qual até o shogun, senhor feudal, presencia. O campeonato de tatuagens de mulheres que está para ocorrer atiça os sentimentos humanos mais profundos de depravação e desejo carnal nos tatuadores, profissionais que almejam também ascender social e economicamente com suas modelos-troféu. Nesse contexto estão entrelaçadas as duas tramas da narrativa.

Sadismo de Shogun – A Tortura Infernal começa logo violentamente: nos primeiros minutos, vemos um carrasco introduzir uma lança na genitália da mulher, em seguida várias mulheres têm seus corpos enterrados na terra e suas cabeças – que ficam para fora – são serradas por um metal.

No primeiro segmento, uma moça virgem é presa e espancada por seu senhor, quer almeja tatuá-la. A virgem inicia-se no submundo do Japão feudal, presenciando sessões de sadomasoquismo impetrados no bordel; Aqui se pode perceber a presença do Teruo Ishii, importante diretor japonês de filmes de terror¸ policial, kung fu (trabalhando com Sonny Chiba) e exploitation, que veio a falecer ano passado, como foi divulgado no blog Bakemon. Ishii não poupa cenas de abusos físicos e psicológicos, sem nenhuma desculpa para mostrá-las.

Na outra trama, a mais fraca e confusa, um tatuador vê-se numa intriga envolvendo sua amante e as repressões de seus superiores.

O grande defeito de Tortura Infernal é a presença maciça de muitos personagens, acabando por confundir quem assisti. Soma-se a isso o fato das japonesas terem a mesma cara. É um dos doze trabalhos de Hércules diferenciar uma japonesa da outra. Confesso que fiquei deveras confusos com tantas mulheres iguais e nomes estranhos a mim.

Sadismo de Shogun faz refletir como, milagrosamente, uma obra com teor violento e sexual tão gráfica e explícita saiu no país.

 



Escrito por Yúri Koch às 10h50
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