To Hell With The Devil

No ano de 1946, na China, mais precisamente em Guangzhou, às margens do riacho de esgoto, nas proximidades das palafitas que afloram a miséria da região, nasceu um dos mais consagrados diretores de filmes de ação de todo o mundo: John Woo.
Quando pensamos em John Woo, logo lembramos de cenas frenéticas de ação, porrada e tiroteio. Ou então o gordo Chow Yu Fat descarregando toneladas de tiros nos malfeitores. Mas voltemos no tempo, para ver um dos primeiros filmes dirigidos por Woo.
O famoso cineasta, ainda jovem, mudou-se para Hong Kong, onde começou a trabalhar na lendária Shaw Brothers Studios. Até que, depois de muito ralar, tornou-se diretor.
Mas vamos logo ao que interessa. To Hell With The Devil narra a história e o conflito de dois enviados do além, um servo do céu, o outro escravo do inferno. Estas duas criaturas míticas têm uma missão bem específica. O demônio deve possuir a alma de um músico fracassado da Terra. O servo de Deus, enviado especial de Deus ao mundo, porém, tem por incumbência auxiliar o músico e atrapalhar os planos do arcanjo infernal.

Após essa rápida sinopse à la Sessão da Tarde, fica a primeira dúvida. Esse enredo é diferente da própria capa do filme, lançado por estas bandas pela Penta Vídeo. A Penta Vídeo informa, erroneamente, que “a alma de um pop star está rifada ao Demônio, e John Woo mostra essa batalha pela salvação com toda a sua carga de ação”.
O primeiro erro é: a alma de um pop star não está rifada ao demônio. O tal do pop star é apenas um personagem secundário, utilizado para dar humor à trama e frustrar a vida do protagonista da história, o músico decadente.
O segundo erro por mim constado: não há nenhuma carga de ação. Se eu visse To Hell With The Devil, nunca poderia imaginar que a direção estava a cargo de John Woo. Simplesmente não existe aquela pancadaria frenética ou algum grande sacada, comum à sua filmografia.
Pode-se afirmar que não é a precária produção B a responsável pelo insucesso do filme. A passagem no inferno, com sua caracterização utilizando-se de poucos recursos financeiros, mas criativa, lembra Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver, do mestre Mojica. A diferença é que, enquanto no clássico nacional, homens são impiedosamente torturados na casa do capeta, na produção de John Woo só aparece o grotesco demônio (nenhum figurante para realçar o diabólico local).
Muitas vezes, o humor excessivo acaba por ter um efeito malévolo no resultado final de uma obra cinematográfica. É o caso de Farra do Demônio, que, utilizando-se de humor sem graça e falta de criatividade, pode desagradar o grande público.
Escrito por Yúri Koch às 10h20
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