Fêmeas em Fuga (Women in Fury)

Esse post aqui é para o nosso amigo Kay, do excelente blog Grind House lá de Portugal, para ficar conhecendo um pouco mais a produção exploitation brasileira, que tanto veneramos e apreciamos.
No Brasil, durante a década de 80, houve uma grande proliferação de incontáveis filmes nos gêneros erótico, pornô e nas produções de filmes de exploração. Tais gêneros, se utilizando de sensacionalismo barato, agradava o povão ansioso por ver bundas, seios e depravações no cinema. O sensacionalismo em celulóide.
Das várias ramificações do gênero exploitation (mondo, nusploitation, wip e cia), a que de certa forma mais rendeu frutos no Brasil foi o subgênero wip (women in prison, ou, como preferir, mulheres na prisão). O wip segue essa linha de raciocínio: mulher inocente é presa – espancada pelas detentas-gostosas – tem um caso com a diretora lésbica do presídio – chora e entre em depressão – escapa do presídio através de uma rebelião em massa – consegue comprovar sua inocência.

Quando falamos de wip tupiniquim, temos que recorrer obrigatoriamente ao clássico do obscuro Fêmeas em Fuga. Fêmeas em Fuga é o produto de uma parceria entre o Brasil, lugar onde foi filmado, com elenco brasileiro, e a Itália, país de onde veio o diretor e parte da equipe técnica. Através dessa ligação transatlântica foi possível a realização de duas obras hoje veneradas por muitos, nosso Fêmeas em Fuga, conhecido internacionalmente por Women in Fury, e o Perdido no Vale dos Dinossauros. Os dois filmes dirigidos pelo italiano Michele Massimo Tarantino, na segunda metade da década de 80.
Fêmeas em Fuga, apesar da fama que tem, achei que poderia render mais. Talvez a rapidez com que foi filmado não desse tempo para desenvolver melhor os personagens, e até mesmo a trama. Afinal, foi gravado no mesmo ano que o Perdido no Vale dos Dinossauros, em 1985.
Women in Fury não me agradou muito. O elenco feminino é quase todo horroroso, só escapando a Suzane Carvalho e mais uma ou outra mulher. O roteiro é um tanto quanto furado, com cenas absurdas e muitas outras desconexas. Entre os absurdos, vale registrar o salvamento de helicóptero feito pelo médico do presídio. No meio de tiros de escopetas e metralhadoras entre os soldados e as detentas fugitivas (ver foto da gordinha aí de baixo), no meio da Barra da Tijuca (local onde foi filmado algumas tomadas), eis que surge do céu, cortando os ares como uma fênix, o médico do presídio dentro de um helicóptero, para resgatar a mocinha Suzane Carvalho.

Mas quem sou eu para querer um filme tudo nos conforme? Para que eu quero um roteiro bem elaborado, elenco não-canastrão, produção caprichada. Cinema tem que ser feito sob todas as medidas e sob todas as formas.
Fuçando na net, acabei encontrando o site da Suzane Carvalho, que estrelou o Fêmeas em Fuga (e anteriormente, obviamente, pousou em algumas revistas de “mulé pelada”).
É interessante você conhecer um pouco mais do nosso cinema, ainda mais os filmes nacionais de mulheres na prisão. Independente do resultado final da obra, é um grande prazer assistí-lo.
Escrito por Yúri Koch às 11h42
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