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Necrofilmes: Obscuridades da 7º Arte


Tráfico de Fêmeas

 

Agenor Alves é um nome já conhecido pelos leitores assíduos do blog Necrofilmes. No post retrasado comentei sobre sua mediana obra Prisioneiras da Ilha do Diabo. Desta vez retorno com o ilustre diretor baiano e seu primeiro filme, Tráfico de Fêmeas, realizado no final de década de 70.

Vamos falar um pouco mais da figura enigmática do Agenor Alves, no qual tenho imensa vontade de conhecer e até mesmo marcar uma entrevista. Agenor nasceu em 1940, na cidade de Urandi, Bahia, uma das regiões mais miseráveis do Brasil. Aos 20 anos decidiu que queria mudar de vida e migrou para São Paulo. Através de muita ralação e batalha, comum ao sangue persistente do nordestino, trabalhou na televisão e até mesmo como dublê de atores, para só depois estrear na direção com o fraco, porém interessante, Tráfico de Fêmeas. O primeiro dos seus 18 filmes rodados ao longo da carreira.

Após a retrospectiva, voltemos, pois, ao conteúdo do filme. Há fortíssimas semelhanças entre o Prisioneiras da Ilha do Diabo e o Tráfico de Fêmeas:

– Criminosos seqüestram e abusam moças ingênuas, que ficam nuas a maior parte do tempo.

– Possui o mesmo elenco masculino, com a presença até mesmo do ator Satã (um ator da Boca do lixo que é tão feio, mas tão feio, que parece o satã!).

– Os cenários são praticamente idênticos.

A partir da idéia central de ambos os filmes, ocorrem as leves divergências entre as duas obras. No Prisioneiras da Ilha do Diabo as mulheres são levadas a uma ilha deserta, permanecendo no cativeiro ao Deus dará, servindo às luxurias somente dos seqüestradores, enquanto no Tráfico de Fêmeas elas são confinadas em prisões, sejam eles um simples caminhão transportador de carne fresca (sacou o trocadilho?), ou uma cela improvisada, para depois serem enviadas como mercadoria aos ricaços de São Paulo.

Mesmo nadando em um terreno bastante fértil para realizar um filme erótico-apelativo, percorrendo o polêmico tema do comércio de mulheres – muito em voga até mesmo nos dias de hoje – Tráfico de Fêmeas fica aquém das expectativas. A direção de Agenor é um pouco desleixada, preguiçosa, sem dinamismo. Por que, ora bolas? Bom, um grande defeito do Agenor e realmente tratar a mulher como uma mercadoria. Como assim? Bom, vou explicar. As mulheres nos filmes de Agenor Alves são tratadas apenas como objetos do prazer e da perdição, um simples instrumento do sexo. Nem seus rostos são mostrados direito, apenas as bundas & seios. Tudo bom que Necrofilmes é chegado num filme sensacionalista e perverso, mas eu gosto e aprovo quando o diretor sabe construir e definir com clareza a psicologia das personagens. Outro defeito são as toscas cenas de batalhas entre as gangues que disputam a mercadoria de mulheres, que chega a beirar o ridículo. Poucas vezes vimos tiroteios tão escalafobéticos na história do cinema, onde o som dos tiros lembra “track de bebê” (aquelas bombinhas que você soltava no São João quando era mais novo e achava o máximo), e até mesmo quem não toma tiro cai no chão morto. Não há dinamismo ao longo do filme, tudo um samba do crioulo doido. Chega uma hora que você não sabe quem é quem na história. Até mesmo o ator Tony Tornado, que interpreta o chefe da bandidagem, fica totalmente perdido na trama.

Mas acho eu que o Tráfico de Fêmeas foi um rascunho, um esboço para o futuro Prisioneiras da Ilha do Diabo, esse sim um filme que, mesmo mediano e tendo as deficiências já apontadas em posts anteriores, é mais lindo, leve e solto.

 



Escrito por Yúri Koch às 23h55
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