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Necrofilmes: Obscuridades da 7º Arte


Visões Eróticas de Belinda

Do prolífico gênero pornô, os meus preferidos são os saudosos filmes da gloriosa Boca do Lixo brasileira, seguida pelas bizarrices feitas atualmente no Japão. Obviamente não me refiro à atração sexual – do ponto de vista anatômico-fisiológico das atrizes –, mas sim, da sinceridade e originalidade passadas a quem as assisti.

O nome “Boca do Lixo”, área nas imediações da Rua Triunfo, foi assim batizada pela crônica policial (isso no tempo em quem minha avó era menina), devido à marginalidade e miséria existentes naquela região.

Como então explicar o êxito comercial da Boca do Lixo?

Vamos, pois, à década de 60. Naquela época foram criadas o Instituto Nacional do Cinema e a lei de reservas para o mercado cinematográfico nacional. A redução das importações viabilizou o crescimento do mercado tupiniquim.

Enquanto a Embrafilme financiava a elite do audiovisual, o povão se uniu (povão leia-se “as classes populares”, desde o pequeno comerciante ao proletariado) para botar a mão na massa. Floresceu então um vasto lastro de filmes nacionais, desde as pornochanchadas até filmes de aventuras e faroestes, destacando-se a filmografia do mineiro Mauri de Queiroz (ou Tony Vieira). Aliás, este ano Necrofilmes teve o prazer de assistir a uns 8 filmes do ilustre diretor mineiro.

Durante a década de 70, dos 90 filmes produzidos por ano, aproximadamente 40 % da produção era oriunda da Boca do Lixo. Realmente, este fato comprova que a Boca do Lixo era muito mais que a democracia: o cinema do povo, pelo povo e para o povo.

Veio então os anos 80, e a decadência tomou conta do cenário cinematográfico. O período militar estava cambaleando e a Boca do Lixo desembocou de vez para o sexo explícito – e é dessa fase que eu gosto!

Em 1981, o clássico Coisas Eróticas exibia pela primeira vez um filme que mostrava explicitamente o tchaca-tchaca-na-butchaca. Pronto, a putaria estava implantada. E o público que abarrotava os cinemas passava a gozar de liberdades sexuais não vistas antes.

Diretores contratavam qualquer pessoa que passasse nas imediações da Rua Triunfo. Pequenos comerciantes, empregadas domésticas, anões, enfim, a legião do baixo clero brasileira.

 

 

Visões Eróticas de Belinda enquadra-se nesse contexto histórico. Apesar de ser uma legítima produção da Boca do Lixo, Necrofilmes repudia o filme e o seu diretor, Carlos Nascimento. Quem costuma assistir aos filmes da Boca do Lixo, sabe muito bem que sua principal característica é a sinceridade e alegria, extrovertimento, passadas pelo elenco amador, pelo elenco do povo. A Boca do Lixo é, literalmente, todo mundo em cima de todo mundo: anões em cima de gordas sebosas, em cima de travestis, em cima de pobretões, em cima de mulheres feias, em cima de animais.

Porém, o diretor Carlos Nascimento não sabe transmitir essa alegria tupiniquim. Sua obra, no caso Visões Eróticas de Belina, é extremamente fria. As tomadas são escuras, o sexo triste e pobre, muito infeliz. Porém, como sempre, quem salva o filme é o grande anão Chumbinho!

 

 

Anão Chumbinho, se o Brasil fosse um país decente, seria um ícone do cinema nacional, um verdadeiro herói do país. Seu nome serie cristalizado e batizado em importantes monumentos e avenidas do Brasil. Mas não. Como estamos no Brasil, morreu assim como nasceu: pobre, no anonimato e... anão!

Nunca, na história do cinema pornô internacional, um ator fazia tão bem sexo com as mulheres como o anão Chumbinho. Um verdadeiro atleta sexual. Ator versátil, interpretou até mesmo um vampiro no clássico Taras de Um Mini Vampiro.

No Visões Eróticas de Belinda, anão Chumbinho consegue dar uma grande dignidade ao precário filme. O take em que contracena com uma grávida, literalmente saindo de um baú para devorar a mulher prenha – uma cena quase surreal – é apenas uma sombra de um passado empoeirado que não volta mais.

 



Escrito por Yúri Koch às 10h52
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