Fauzi Mansur: Ninfetas do Sexo Ardente e Atração Satânica
E lá vamos nós de novo garimpar mais uma produção da saudosa Boca do Lixo de São Paulo. O filme de hoje é o Ninfetas do Sexo Ardente, realizada no ano de 1985 pelo batalhador na área pornográfica Fauzi Mansur, com o pseudônimo de Vitor Triunfo.
A perceber pelo trabalho do diretor Mansur no Ninfetas do Sexo Ardente, Necrofilmes recomenda sua filmografia, muito extensa na linha pornográfica durante os idos anos 80.
Todos os ingredientes para um glorioso filme típico da Boca do Lixo estão presentes no Ninfetas do Sexo Ardente: sexo leve e saudável, personagens caricatos, cenas interessantes e criativas e um humor descomprometido.

O Ninfetas do Sexo Ardente é basicamente isso: situações engraçadas que ocorrem em um bairro qualquer de São Paulo quando os filmes de um motel passam a ser transmitidos via TV, inexplicavelmente, para a região vizinha.
Nas cenas finais de Ninfetas do Sexo Ardente, o diretor Mansur se utiliza de criativos elementos narrativos: no escurinho de uma sessão de cinema, espectadores passam a louvar o romano Baco (se é que vocês me entendem). Com isso, as cenas de sexo que estão passando no filme do cinema se confundem e se mesclam com a safadeza do pessoal que está assistindo à sessão.
Aliás, foi nessa cena que eu, Necrofilmes, consegui desvendar um dos grandes mistérios que rodeiam a vida e a obra do mito anão Chumbinho!
Pois bem, vou descrever a cena: anão Chumbinho, como não é ingênuo nem nada, aproveita e dá um “degustamento” em uma das mulheres que está na sessão de cinema. Tal cena é presenciada por um casal de idosos, que, com olhos atentos e indignados para com a mulher – achando que a dita cuja está transando com uma criança, e não com o anão Chumbinho – acaba interrompendo o oba-oba do cinema:
– Mas mulher, você não tem vergonha? Se aproveitando de uma criança!
Ao que Chumbinho, com toda a sua coerência e credibilidade de pequeno grande homem, responde:
– Ei, mas eu não sou criança, minha vó! Eu tenho 30 anos!
Essa frase proferida por anão Chumbinho é reveladora. Se no ano de 1985, anão Chumbinho estava com 30 anos, hoje ele tem 51anos! Pronto, só falta agora desvendar outros mistérios do anão Chumbinho:
– Qual o nome do anão Chumbinho?
– Anão Chumbinho freqüentou a escola? Ele nasceu anão ou se transformou em anão? Quando pequeno, teve uma infância saudável e alegre como as outras crianças ou sempre foi segregado por ter uma altura incompatível com as outras pessoas de sua idade?
– Teria Chumbinho deixado herdeiros na Terra? Será que seus (possíveis filhos) são anões também? E esposa? Chumbinho teve esposa? Será que Chumbinho se casou com senhora anã Chumbinha? E seu filho se chama anão Chumbinho Jr ?
– E o mais importante: onde está Chumbinho?
Para resolver esses mistérios, pessoas como eu, Sergio Campos, Daniel Salomão, Ulisses Putrescine, Marcio Santos e o cineasta Petter Baiestorf se uniram no Orkut, em uma comunidade especialmente criada para o Chumbinho. Somente assim encontraremos respostas para esses enigmas.
Vale ressaltar que Chumbinho trabalhou também com o Fauzi Mansur um ano antes, em 1984, no Analista das Taras Deliciosas, uma sátira a Ilha da Fantasia. Obviamente Chumbinho interpreta o personagem anão Tatu. Nesta obra, Fauzi Mansur está com o pseudônimo de Izauf Rusnam, seu nome escrito ao contrário.

Um dos últimos suspiros do Fauzi Mansur foi Atração Satânica, feito – enigmaticamente – para o mercado norte-americano, no inicio dos anos 90. “Enigmaticamente” porque o mercado ianque é extremamente saturado. Então por que encomendar um “horror movie” no país do mensalão e dos sanguessugas? A resposta não consegui encontrar.
Atração Satânica é um grande samba do crioulo doido. Pegue vários elementos manjados do gênero horror – satanismo, ressurreição. psicopata e paixão por pessoas mortas – e acrescenta ao ingrediente “macumba”. Somente uma ou outra boa cena gore, de tripas jorrando aos quatro cantos, salva esse fiasco de atores sem carisma, enredo sem graça, final sem noção.
Reza a lenda que hoje Fauzi Mansur está uma pousada em Ubatuba, e tenta patrocínio para rodar filmes “mais sérios”.
Escrito por Yúri Koch às 17h32
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