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Necrofilmes: Obscuridades da 7º Arte


Traces of Death

Necrofilmes cumprimenta: Ô Ed, seu débil...

 

Edenilson de Oliveira, o “maior acervo do Brasil”, esbraveja: Fala viado!

 

Necrofilmes pergunta: Venha cá, você tem aí mais shocks? Faces da Morte Millenium, um tosco aí que saiu?

 

Edenilson de Oliveira, o “maior acervo do Brasil”, afirma: Tenho o Faces da Morte Paramédicos, Faces da Morte Guerra! e o Faces da Morte Millenium, mas só a partir da matriz VHS.

 

Necrofilmes responde: Matriz VHS... aí é foda! A parada do Faces da Morte Millenium já saiu por aqui em DVD...

 

Edenilson de Oliveira, o “maior acervo do Brasil”, retruca: Tô sabendo não... Mas sei que saiu recentemente o Traços da Morte.

 

Necrofilmes exclama, indaga, abafa: Saiu? Êita! Sabia não...

Após o clássico Faces of Death ser concretizado em sua plenitude nas locadoras e sites de vendas de filmes, na prestigiada mídia digital, e após até mesmo chocumentários menos relevantes saírem no mercado de DVD’s, como o Bumfights e Death New File (aka “Atrocidades”), chegou a vez daquele que é considerado o expoente mais bem acabado do famigerado rol de documentários “proibidos”, cujo conteúdo nada mais é que registrar, de forma sensacionalista, barata e comercial, a verdade nua e crua do lado perverso do homem.

Vamos, pois, reger alguns parâmetros aos shockumentaries, para entendermos um pouco mais sua essência e existência. Teoricamente, há dois tipos de documentários do filão exploitation: o mondo e o death documentary, ou shockumentary. O primeiro se iniciou na década de 60, com o sucesso de crítica e de público Mondo Cane, da dupla de cinegrafistas italianos Franco Prosperi e Gualtiero Jacoppeti. Trazia, no seu contéudo, os modos & costumes "estranhos" dos países, essencialmente, terceiro- mundistas, analisados de forma parcial e preconceituosa. Mondo Cane originou dezenas e dezenas de documentários italianos naquela época. Documentários sonsos, na verdade, tratando sempre em desvendar os hábitos sexuais dos povos e como os mesmos lidam com a morte.

Para dar respaldo ao sadismo existente no mundo, no final da década de 70 viria o clássico Faces of Deth, dando uma atenção especial à morte, na sua forma plena. O shockumentary se enraizaria no inconsciente da humanidade.

Como foi dito, na "teoria" há esses dois tipos de documentários. Porém, na prática, na práxis existencial dos colecionadores que lidam com o gênero, nós nos dirigimos aos documentários mondo como sendo shockumentaries, e vice-versa. Há uma simbiose entre ambos, um mutualismo, uma complementaridade.

Alguns teóricos e estudiosos da doutrina shock-death documentary – englobado aí também o gênero mondo – descrevem sete elementos essenciais presentes no mesmo: compilação, educação, exploração, narrador, reconstrução, snuff e reality TV.

“Compilação” porque o gênero shockumentary é, na sua essência, uma reunião de cenas, reais ou “fakes”, de mortes ou acontecimentos bizarros. Pode englobar a morte no sentido geral, desde a sua ocorrência-flagra até o registro das formas pelas quais determinadas culturas tratam a morte. Há também documentários no sentido estrito, que regem e enfocam determinada matéria, como, por exemplo, o documentário nacional Autópsia, do diretor de filmes pornôs José Gaspar. Ou o documentário britânico Execução, de cunho humanístico, que rege sobre a aplicação da pena capital nos países do mundo.

Descordo quanto à “educação”. Dizem os teóricos que tais documentários têm um embasamento educacional, “recreativo”, por assim dizer. Afirmam eles que se pode aprender sobre determinada cultura, seu jeito de tratar penas capitais, costumes sexuais, cultos pós-morte, etc. Mas é claro que, na verdade, não há nenhum fundo “educacional”. É puro sensacionalismo (exploitaion), que visa somente a um êxito comercial. Portanto, afirmo eu que o quesito “educacional” dos shockumentaries é a mãe de quem inventou isso!

Tanto é que na Inglaterra, a BBC proibiu o Traces of Death, por não ter nenhum atributo jornalístico, cultural ou qualquer outro contexto que justifique as imagens mostradas.

Todos os acontecimentos dos death-documentaries são descritos ou comentados por um narrador. No clássico Faces of Death, é o ator Michael Carr, e no Death Scenes, temos a presença, como narrador, do Anton La Vey, criador da Igreja de Satã de São Francisco.

Não procede também o quesito “snuff movie”. Uma coisa é você mostrar acidentes que culminam em mortes reais, outra, como no caso do snuff, é você assassinar uma pessoa em frente às câmeras para vender a filmagem. Chocumentário não é snuff movie, snuff movie não é chocumentário.

“Reality show” porque a TV é a mola propulsora desse merda toda! Muitas cenas são compiladas diretamente de sistemas de TV aberto ou fechado.

E por último, os shockumentaries podem ser caracterizados por uma reconstrução na suas cenas, ou seja, a não veracidade dos fatos é atestada. Exemplo clássico é o Faces of Death e a cena que registra a morte na cadeira elétrica, que foi feita pelo próprio diretor Conan Le Cilaire.

 



Escrito por Yúri Koch às 17h25
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