O cinema filipino!
Recentemente perguntei ao brother Takeo, autoridade máxima sobre o cinema asiático, se existe algum filme das Filipinas que não esteja enquadrado no quesito “trash”. A resposta: “Olha Yúri, deve existir filmes bons nas Filipinas também, mas os que vão pro exterior são as tosqueiras produzidas por estúdios de Hong Kong”.
Sempre quando penso nas Filipinas, lembro imediatamente das penas capitais perpetradas naquele arquipélago. Não sei se eu estou errado, mas agora nas Filipinas são proibidas execuções, devido a uma sanção presidencial ou sei lá o que. Durante um longo período, você via na TV ou na Internet pessoas sendo fuziladas. A maioria por tráfico de drogas. E muito brasileiro no meio (mais uma vez, o Brasil fazendo bonito lá fora!). Ressalto neste post que não somente nas penas capitais as Filipinas pega fogo, como também no cinema.

Falar de cinema filipino é falar de subdesenvolvimento. Filipino é o primo pobre do japonês. Falar de cinema filipino é falar de anões que estrelam aventuras de espionagem, super-heróis toscos, produções sexploitation excêntricas, erotismo barato e vagabundo e filmes de monstros cretinos, de orçamentos esdrúxulos. Ou seja: eu respeito e admiro o cinema filipino! Se você quer saber se nas Filipinas há “filmes de arte”, meu caro amigo, Vossa Excelência veio ao blog errado. Aqui no Necrofilmes, somos partidários da doutrina “quanto pior, melhor”.
Este arquipélago é um verdadeiro reduto de filmes estranhos, e suas locações, uma atração cinematográfica. Produtores de outros países (Europa e EUA) escolhem as Filipinas para rodar seus filmes, devido à mão-de-obra barata e desqualificada existente naquela região, além das condições climáticas e geográficas propícias.
A partir dos anos 70, muitas produtoras começaram a usar as Filipinas com cenários de seus filmes, especialmente de guerra sobre o Vietnã e cinema de exploração. O diretor Jack Hill chegou até mesmo a transferir as filmagens de The Big Doll House (1971) de Porto Rico para as Filipinas. The Big Doll House foi grande sucesso de público, com a presença da estrela negra Pam Grier, além de ser o primeiro dos muitos filmes de mulheres na prisão (women in prison) rodados no arquipélago.
O primeiro filme filipino visto por mim foi Darna, Ang Pagbabalik. Simplesmente é a versão filipina da Mulher Maravilha. Na verdade, é baseado em um “komicks” (HQ) do arquipélago, que não deixa de ser uma cópia literal da Wonder Woman, com uma jornalista recebendo seus poderes mágicos para ajudar pobres coitados.

A verdadeira maravilha que o cinema filipino proporciona é o “crássico” For Your Height Only (1979), que não me canso de assistir. Narra as peripécias de um agente secreto. Nada de mais se o agente, chamado de agente 000, não tivesse um metro de altura! Anão Weng Weng faz tudo que o Zé Mane do Pierce Brosnan não sabe fazer, e com maestria: detona com vagabundos e pega “as mina” das Filipinas.
O mais recente filme filipino que Necrofilmes assistiu foi Lady Ramboh, uma espécie de Rambo feminina e subdesenvolvida. Como não tem legendas o diabo, consegui entender um pouquinho. Narra a história de uma agente da polícia que, após ver suas amigas sendo estupradas e mortas por mafiosos, resolve dar uma de Stalonne: pega suas metralhadoras, granadas, facão e bazuca (!) e parte rumo à floresta para dizimar com uma organização tipo Farcs. Necrofilmes ressalta, no filme, as imagens das cidades das Filipinas, muito interessante por sinal. O chão não é asfaltado (é pura terra batida!), o povo é feio e fedorento (tomara que não tenha nenhum filipino lendo meu blog!) e a miséria da região, com suas palafitas e esgoto a céu aberto, afloram abundantemente ao longo de Lady Ramboh. Sem falar que o povo das Filipinas, nas tomadas externas de Lady Ramboh, se aglomera nas cenas de gravação para olhar os atores trabalhando (trabalhando?).
No Japão, os filmes adultos, de alto teor erótico, são chamados de Pink films (pinku-eiga) ou Roman Poruno (romance pornography), enquanto nas Filipinas denomina-se “Bomba”. As estrelas filipinas, que “brilham” neste estranho gênero, são chamadas de Bomba Quenns. São os filmes do gênero sexploitation das Filipinas, dramas ou aventuras softcores, recheados de violência e cargas sexuais explosivas. Tanto no Japão, como nas Filipinas ou na Indonésia (existe algum diferença entre Filipinas e Indonésia?), os “sex films” são influenciados pela literatura adulta. E viva o cinema das Filipinas!
Escrito por Yúri Koch às 17h09
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