II Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre
Mês passado fiquei sabendo através do Mondo Paura que seria realizado, em Porto Alegre, o II Festival de Cinema Fantástico. Fiquei pensando cá com meus botões: “Vou... não vou... vou... não vou. Vou!”. Eis então que Yuri Koch e seu blog super bizarro partem rumo ao Rio Grande do Sul! E lá fui eu, meio que amalucado. Abandonei tudo que estava fazendo, fiz minhas malas e segui em direção à cidade de Porto Alegre. A distância? Somente 2.000 quilômetros. E olha que eu fui no lombo de um jumento! Logo no dia 17, pela manhã, fui ao Santander Cultural, no centro da capital, ver uma palestra ministrada pelo Goidanovich. Na entrada, tinha uns metaleiros, góticos e tal, sentados na escadaria. Pensei: “Bom, deve ser aqui”. Fazendo uma retrospectiva das palestras, afirmo que foram valorosas para mim. Retirei informações precisas e preciosas do Goidanovich, Marcelo Severo, do Marcelo Carrard e do Thomaz Albornoz, que tive o prazer de conhecer pessoalmente e bater um papo supimpa! Quando não tinha palestras, lá ia eu com minha mochila pra cima e pra baixo nas ruas do centro de Porto Alegre, procurando ver os filmes nos cinemas. Filmes, diga-se de passagem, top de linha, muito bem selecionados. Os meus preferidos foram Anguish, do Bigas Luna, com todo seu brilhante jogo de metalinguagem e direção precisa, o clássico soberbo, esplêndido e contagioso Quíen Puedo Matar a Un Niño?, do Narciso Serrador, e o delírio Despertar da Besta, do mestre Mojica, que contou inclusive com um debate com a simpática senhora sua filha, a Liz Vampi. Sem falar no clássico russo Viy, e sua fantástica fotografia, algo capaz de encher meus olhos emocionados, sobre um mundo repleto de seres magníficos que atormentam um religioso, enquanto este executa uma missa de enterro de uma jovem bruxa, sendo atormentado por ela a todo momento. Magnífico! Puta filmaços esses! 
Não poderia deixar de citar a já histórica sessão do Canibal Holocausto no Santander Cultural, que ficou lotado e fez com que se aglutinasse fora do cinema uma fila formada pelo povão que não conseguiu comprar os ingressos. Vários olhares correndo sobre o cinema, pessoas vestidas a caráter, outras com camisa do Cannibal Holocuasto. Até mesmo o Ghiorzi estava lá, vestido de um monstro, feito por ele mesmo e muito realista, com uma faca na mão, executando com maestria sua performance na sessão, antes de começar o aguardado Cannibal Holocausto. 
Pasmem, pouquíssimas pessoas abandonaram a sessão, como foi observado pelo Carrard. Uma gatinha que sentou do meu lado engolia um grito seco, apavorada com a carnificina no telão do cinema. 
Em uma das tardes gaúchas, resolvi passar na Zil Vídeo, que dizem ser a locadora com o maior acervo do Brasil, com 45.000 filmes. Na entrada, a Zil Vídeo parece ser uma locadora qualquer, meio que escondida. Mas penetrando no seu interior, descobre-se o verdadeiro “patrimônio do Rio Grande do Sul” (como muito bem foi descrito pelo Thomaz) que é a Zil Vídeo. Só entrando mesmo lá para descobrir a fantástica quantidade de filmes. Sem falar no andar subterrâneo, somente de pornôs. Deparei-me até mesmo com uma fita amadora argentina sadomasô barra-pesada, com ares de pseudo-snuff movie. Passei uma tarde toda garimpando o acervo e conversando com o dono da Zil Vídeo, o Hilton, que é um grande cara, genial, muito divertido e conversador. Hilton, com marcantes costeletas encobrindo as laterais do rosto, me mostrava com afobação as fotos que ele tirou com a Sylvia Saint, Tania Russof e outras estrelas do pornô internacional. Fotos essas que saíram até mesmo na revista Buttman, que ele retirou de uma das gavetas da locadora para me mostrar. Quando eu perguntei para ele onde essas pornoatrizes se hospedam quando vão para Porto Alegre, Hilton proferiu uma resposta inesperada, que eu fiquei boquiaberto: – Hospedagem? Hotel? Que hotel que nada! Elas vão é pra minha casa! Há há há! Elas vão é pro meu quarto! Sacou? Pro meu quarto! O II Festival de Cinema Fantástico foi mesmo incrível. Excelentes filmes nas sessões, pessoas que tive o prazer de conversar e conhecer, palestras e debates valorosos. Enfim, vai-se ouvir falar muito ainda do Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre, que com certeza vai ser tradicional na América Latina. Estão de parabéns todos os heróicos organizadores do evento, que eu aprendi a valorizar. É isso aí, meu amigo. Estou esperando por você no III Festival de Cinema Fantástico em 2007. E não me venha com desculpas.
Escrito por Yúri Koch às 21h57
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