A Galinha do Rabo de Ouro

Os filmes da Boca do Lixo, logo a primeira vista, na leitura dos títulos, já são um belíssimo convite à penetração de seu mundo, repleto de fantasias e erotismo. O período hardcore caracteriza-se, logo de cara, por seu vasto número de nomes interessantes dos filmes, extremamente ambíguos, denotando sexo. Os títulos engraçados e curiosos são muitos, desde aqueles que permitem um duplo sentido, como “Pau na Máquina” e “Dama de Paus”, até os títulos curtos e grossos (se é que vocês me entedem), como “Ônibus da Suruba”.
Agora, imagina uma produção da Boca do Lixo chamada A Galinha do Rabo de Ouro! A fórmula para a sua realização? Pegue meia dúzia de atores broxas, algumas atrizes desconhecidas, roube cenas de qualquer filme anterior e meta uma galinha no meio. O resultado é um dos “crássicos” da saudosa Boca do Lixo, que faz com que eu continue achando que, no quesito pornô, ela é insuperável. E que vá pra merda o Salieri, o Alex de Renzi e blá blá blá! Para esses diretores, só mostro o nosso Levy Salgado.
Levy Salgado, na feitura do seu A Galinha do Rabo de Ouro, utilizou várias cenas de uma produção dirigida um ano antes por ele, o razoável Rabo Quente.
A Galinha do Rabo de Ouro mostra o encontro de alguns garotos na praia. Bunda de mulher pra cá, bunda de mulher pra lá, cada um resolve falar de suas conquistas sexuais. Nessa, Levy Salgado, colocando na prática a frase “tempo é dinheiro” e “dinheiro eu não tenho”, utiliza algumas cenas do seu Rabo Quente, de 1986, mostrando garotos mandando brasa na mulherada, dentro das academias de ginástica. Mas a edição é precária, notando-se todo o amadorismo da equipe técnica de Levy Salgado.
Até que um dos personagens, chamado Marcelo, interrompe a conversa chata e discursa o seguinte (a frase é algo mais ou menos assim, não tenho memória boa):
- E eu, que já comi a galinha Marilú!
Pausa. Necrofilmes interpreta agora a frase acima. Ela tem quatro significados:
1º significado: o rapaz comeu – um ato bucal-mastigatório – uma galinha animal, durante a refeição, chamada Marilú. O que é normal para nós, carnívoros.
2º significado: o rapaz comeu – um ato bucal-mastigatório-canibal – uma mulher de nome Marilú.
3º significado: o rapaz comeu – no sentido metafórico-sexual – uma mulher safada, chamada pelo povão como “galinha”, de nome Marilú.
4º significado: o rapaz comeu – no sentido metafórico-sexual – uma galinha animal, em uma cena que pose ser chamada “transa galinácea”.
Advinha qual das quatro opções o personagem Marcelo se referiu? Mas calma, a transa galinácea não ocorre. O diretor Levy Salgado, talvez por medo de represálias do Greenpeace, resolveu não filmar a cena. Preferiu introduzir um dildo na “portinha dos fundos” da galinha. Marcelo não introduziu seu membro fálico (ou, como queira, “pau”), no furico da galinha.
Opa! Quanta baixaria é essa aqui no Necrofilmes? Vou parar de comentar esses filmes...
Em suma, A Galinha do Rabo de Ouro vale ser visto não só por seu título esdrúxulo, mas também pela famosa cena um tanto quanto inusitada. Ah, sim, uma coisa que Necrofilmes notou: ao contrário da maioria das produções da Boca do Lixo, A Galinha do Rabo de Ouro possui belas mulheres – cenas roubadas, como disse, do Rabo Quente.
Caramba, como o Levy Salgado gosta de colocar a palavra “rabo” nos seus filmes.
Escrito por Yúri Koch às 22h16
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