Quatro Noivas Para Sete Orgasmos

É muito comum, dentro da vasta produção cinematográfica pornô, a feitura de um subgênero um tanto quanto curioso: as versões pornográficas de filmes famosos. Encontram-se versões pornôs de Indiana Jones – cujo “lado pornográfico” é “Indiana Xana” – , Freddy Krueger, Edward Mãos de Tesoura (Edward Penishand), Exterminador do Futuro (X-Terminator), Família Adams, e por aí vai... Até tenho uma revista antiga sobre mercado pornográfico de vídeo que trata sobre o tema. Mas, infelizmente, não consegui encontrá-la nessa zona que é minha casa.
E não é que o Brasil contribui para o enorme subgênero de versões pornográficas? Em 1985, o diretor Custódio Gomes rodou o espalhafatoso Quatro Noivas Para Sete Orgamos, leitura hardcore do clássico musical Sete Noivas Para Sete Irmãos (Seven Brides For Seven Brothers), dirigido na década de 50 por Stanley Donen, que, pasmem, eu tenho o VHS e é um dos meus musicais preferidos (sim, eu gosto de musicais!).
A primeira surpresa. Assim que inicia o Quatro Noivas Para Sete Orgasmos, eis que surge um áudio em inglês, com legendas em português! Tal fato me pegou de surpresa. Isso prova e comprova que a saudosa Boca do Lixo não se limitava somente às regiões circunscritas à Rua Triumpho. Ao contrário, extrapolava os limites territoriais da República Federativa do Brasil (falei bonito, hein?).
Quatro Noivas Para Sete Orgasmos, apesar de ser uma produção muito obscura até mesmo para quem gosta do gênero, conta com um elenco de peso. Não digo de “famosos”. Como ser famoso se o mais lembrado da época era um pornoator mirim portador de deficiência vertical? Sim, falei do anão Chumbinho!
Quatro Noivas Para Sete Orgasmos, além da presença do próprio Custódio Gomes (sempre lembrado pelos fãs de cinema hardcore da Boca do Lixo como o realizador de Alucinações Sexuais de um Macaco), tem ainda a presença da musa Márcia Ferro, a Tatiana Mogambo, e o casal 69 da Boca do Lixo, a dupla “vice-versa” Eliane Gabarron e Walter Gabarron.
A história é simples e permite uma grande desenvoltura permeada com cenas cômicas. No filme, Custódio Gomes e Tati Mogambo formam um casal que vive tranquilamente em um sítio, transando aqui e acolá e vendo o tempo passar. Até que para a infelicidade geral da nação, chega um mensageiro montado a cavalo para entregar uma carta. O conteúdo da carta? A chegada dos quatro irmãos caipiras de Custodio. Tal cena é muito engraçada. “Engraçada” por ter ficado extremamente mal-feita. Estava no roteiro o seguinte. O Custódio Gomes devia falar para o mensageiro: “Você deve estar muito cansado. Não gostaria de entrar para beber algo?”. E o mensageiro, então, devia entrar na casa. Só que antes mesmo do Custódio proferir a pergunta, o mensageiro já desmonta do cavalo e vai entrando na casa! Que vacilo de direção, viu?
A felicidade do casal dura até a chega inusitada dos quatro irmãos. Aliás, chegada de parente é um tanto quanto mal-vinda, hein? Como diz aquele filme italiano, “parente é serpente”. Quanto mais parente, menos privacidade. Agora é que as vidas de Custódio e Tati nunca mais serão as mesmas. Sempre quando tentam efetivar a cópula vaginal, ou os recém-chegados caipiras espionam a transa alheia ou praticam sabotagens, como serrar a cama e outras traquinagens infanto-delinqüentes.
Não é preciso ser gênio para chegar a seguinte conclusão: “Bom, se os meus irmãos espionam as transas que eu tenho com a minha esposa, então eles precisam de mulheres!”.
E não é que tal anseio foi escutado por Deus? Pois bem, em um desses corriqueiros dias de farras, eis que surgem no caminho para uma festa quatro lindas mulheres, entre elas as deusas do cinema pornô Marcinha Ferro e Eliane Gabarron. Obviamente, os irmãos caipiras dão carona para as brotas (vixi, onde tirei esta palavra?). Na festa, a safadeza rola solta. Mão aqui, mão acolá, pega, puxa... tira... E o negócio vai esquentando... Até que os irmãos decidem levar as quatro fêmeas para o sítio da libertinagem. É essa basicamente a história de Quatro Noivas Para Sete Orgasmos. Um pornô leve e extremamente descontraído, daqueles que dá gosto de ver. Feito numa época em que pornô não era somente um homem e uma mulher na cama. Feito numa época em que pornô era também roteiro, interpretação (não importa se convincente ou não), cenários e vários elementos que contribuíram e continuam contribuindo para o deleite de apreciadores do gênero.
Na Boca do Lixo não chegou a existir um star system, mas as beldades Tati Mogambo, Márcio Ferro (ferro na Márcia Ferro!) e Eliane Gabarron eu considero verdadeiras estrelas do nosso cinema hardcore. Muito antes dessas piadas sem-graças como Babalu, Gretchen e outras coisas que não valem a pena escrever. Faltou só a musa ninsei Sandrinha Midori para completar o dream team do Quatro Noivas Para Sete Orgasmos!
Apesar do elenco, as cenas de sexo não são muito boas. Faltou mais ousadia do diretor Custódio Gomes... Faltou mais um “tchan” inerente à Boca do Lixo. O sexo é muito convencional. A única cena ousada foi um semi-gang-bang na atriz Tati Mogambo. “Semi-gang-bang” por que na verdade há um revezamento na cena, tirando um pouco os méritos da mesma.
O destaque de tudo fica para Eliane Gabarron. Mesmo trabalhando com o marido Walter Gabarron no Quatro Noivas Para Sete Orgasmos, não contracena com o ele, e sim com um terceiro. Eliane Gabarron continua até hoje casada com o Walter Gabarron, e ambos têm filhos crescidos. Pena que ela foi convertida à Igreja Evangélica... E grande parte dos cinemas de outrora são hoje Igrejas Evangélicas. É a Igreja Evangélica dominando o Brasil. Mas não o blog Necrofilmes!
Escrito por Yúri Koch às 03h15
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|