Comando Explícito (1986)

Entre os diretores da Boca do Lixo, o paulistano Alfredo Sternheim foi um dos mais atuantes. Ao contrário da maioria dos cineastas de cinema explícito, Alfredo nunca usou pseudônimo, e pagou caro por isso.  Em 1986, Alfredo Sternheim dirigiu o filme Comando Explícito, sobre um homem extremamente obcecado por uma garota, que se utiliza de todos os meios para tê-la, praticando seqüestros e outras barbaridades. Assim como Joe D’Amato e Jess Franco faziam na Europa, Sternheim se utilizou de uma fórmula um tanto quanto econômica: rodou dois filmes praticamente no mesmo tempo, como o mesmo elenco e mesmos cenários. Comando Explícito foi filmado logo após à Orgia Familiar, ambos feitos para a Danek Produções. Os atores principais são os mesmos: Wagner Maciel e Rubens Pignatari. Orgia Familiar, também de 1986, trata sobre a aproximação de um estranho a uma família classe-média, e sua paixão exacerbada para com a mais jovem dessa família. Esse amor platônico entre um adulto e uma criança foi tratado com mais ousadia no Comando Explícito. 
Vamos, então, à história. Em uma família classe-média, temos os tradicionais personagens: O pai de família (papel bem representado por Rubens Pignatari), tem um caso com a empregada doméstica; a mãe, que se torna totalmente irrelevante na história, e a filha dos cônjuges, apaixonada por seu namorado. Será virgem ela? Vamos a um diálogo entre esse casal: – Amor, vamos viajar nesse final de semana? – Mas é claro! Aonde esse cabacinho vai, eu vou! Então já sabe, né leitor? Nada de deixar sua filha viajar com o namorado, a não ser que você queira virar vovô! O desfecho da cena apresentada acima é mal filmado, a câmera está totalmente mal posicionada e o rápido blowjob passa quase que despercebido. Para perturbar esse namoro, somos apresentados, logo no início, a um estranho homem, portador de uma obsessão para com a moça da história. Sua compulsão em se relacionar com a jovem é tão grande que chega a perseguir a coitada em plena saída da escola. Pois bem. Para conseguir concretizar o amor não correspondido, o antagonista da trama decide formar uma quadrilha de marginais. No primeiro assalto, eles vão justamente a um prédio onde só tem mulheres! Por que será? Assim como Einstein tem a sua Teoria da Relatividade, eu tenho a Equação Necrofilmes: Homens brutos + mulheres indefesas = tchaca-na-tcheca Quem conseguiu desvendar a complexa Equação Necrofilmes, não precisa saber o que aconteceu no prédio. Aliás... Hum... Analisemos a questão. Antes mesmo dos assaltantes anunciarem o estupro iminente, as mulheres já estão abrindo as pertas e coisas mais. Isso que é gostar de ser estuprada, hein? Mas cada qual como seu feitche... Após a esse “assalto sexual” bem sucedido, a quadrilha segue então para o seu plano mais mirabolante: tentar assaltar o prédio da mocinha indefesa. Conseguirá o namorado da moça indefesa impedir o assalto? Conseguirá ele proteger a sua amada das garras desses seres nefastos? Oh, e agora, quem poderá ajudá-los? Apesar de semelhantes, Comando Explícito é inferior à Orgia Familiar, uma vez que neste são explorados mais os sentimentos das personagens, a psicologia do sexo, enquanto no Comando Explícito, Alfredo Sternheim se desvirtua um pouco da história e acaba criando cenas e personagens desnecessários e algumas cenas de sexo mal filmadas. Sem falar no final com direitos a tiros de bala e tiroteio para tudo que é lado, no melhor estilo Afonsa Brazza. Vale ressaltar que Alfredo Sternheim, também no mesmo ano de 1986, rodou outros dois filmes que têm semelhanças no elenco, trama e cenários, o Sexo Proibido e Sexo Livre.
Escrito por Yúri Koch às 13h15
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