Sexo Proibido (1984)

Falar da Boca do Lixo é falar de Antônio Meliande. Nascido na Itália em 1945, veio para o Brasil logo quando moleque. Após uma longa experiência na produção cinematográfica da Boca do Lixo, onde demonstrou habilidade como diretor de fotografia, assumiu a direção pela primeira vez em 1977 com o clássico Escola Penal de Meninas Violentadas, produzido por Antônio Pólo Galante.
Já na metade da década de 80, usando o pseudônimo de Tony Mel, Antônio Meliande passou a rodar filmes de sexo explícito. Sua estréia, gloriosa, bom registrar, na fase hardcore foi com o sensacional Sexo Proibido, em 1984.
Sexo Proibido retrata a angústia de um homem impotente (interpretado pelo ator André Soler), e sua tristeza em não se satisfazer sexualmente e não conseguir agradar a esposa. Disposto a reverter o problema, decide ir ao médico. Ou melhor, à médica. Lá, a profissional constatando o problema do coroa, manda o mesmo ir a uma praia, para tentar se “curar”.
E lá vai ele de malas prontas para sua viagem à praia, com fins um tanto quanto terapêuticos. Como não poderia deixar de ser, o azarado (ou será “sortudo”?) vai a uma praia... Deserta, claro. Hum... Não é tão deserta assim... Afinal, estamos em um filme pornográfico... E... Hum.. E não é que ele vai acompanhado... E bem acompanhado? Mas para que boa companhia se a máquina está emperrada? Alegria de pobre dura pouco, meu filho.
Na Boca do Lixo em seu período explícito, os cenários mais freqüentes dos filmes eram os quartos, que guardavam os seus segredos (e seus gemidos) entre quatro paredes. Porém, é notável a quantidade de filmes rodados em praias desertas. Elemento este, digamos assim, “erotizante”, que estimula os prazeres da carne e da mente, atiçando mais o imaginário do espectador. Afinal, praia deserta sempre teve destaque no inconsciente sexual das pessoas. Praia é sinônimo de erotismo, corpos à mostra. E o diretor Antonio Meliande sabe criar cenas de intenso erotismo, um verdadeiro artesão.
Impotente, o herói do Sexo Proibido se consola como um simples voyeurista (pensei que nunca ia escrever esta palavra na vida). Sexo Proibido possui mais cena voyeurista (opa, olha eu usando pela segunda vez na vida esta palavra!), do que cenas explícitas.
O voyeurismo agrada. Bem trabalhado, soa mais prazeroso e agradável do que a depravação explícita. É bonito você ver a belíssima atriz Aryadne de Lima com suas saias curtas esvoaçando na praia, tentando seduzir e levantar “o preguiçoso”. Aliás, o elenco feminino de Sexo Proibido, é bom avisar, é impecável. Tirando a orgia final da praia, com direito a “Creuzas”, “Zucrélias” e um travesti-asqueroso, as outras mulheres são belíssimas mesmo. Aryadne de Lima e a baiana Shirley Benny são, como diria meu avô, um colírio para os olhos.
Sexo proibido reveza entre o voyeurismo do protagonista e sua fúria descontrolada por ter o dito cujo, digamos assim, deitado eternamente em berço esplêndido. Até mesmo chega a contracenar com seu próprio Bráulio, em cenas muito engraçadas. Eis uma das falas:
P – Pô, eu não acredito que você está fazendo isso comigo. A mulher nuazinha ali na minha frente, e você sem fazer nada? Isso é ingratidão! Eu sempre dei comida a você, e é assim que você retribui? Até parece gato de armazém, vive deitado em cima do saco!
O competente diretor Antônio Meliande, na mesma época, dirigiria Sexo Total, também com o ator André Soler e filmado também em uma praia naturista. Quem gosta dos filmes da Boca do Lixo, não tem do que reclamar ao término de Sexo Proibido. Somente agradecer ao diretor Antonio Meliande por tudo o que representou para nós, povo brasileiro! Tenho dito.
Escrito por Yúri Koch às 21h30
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