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Necrofilmes: Obscuridades da 7º Arte


Juventude em Busca de Sexo (1983)

 

Em primeiro lugar, meu povo, mil desculpas pela demora. Sabe como é fevereiro: carnaval, início de semestre letivo e alguns problemas que surgem. Mas já consegui organizar tudo. A partir de agora o blog Necrofilmes não será mais aquele mangue, aquela bagunça, com uma atualização a cada mês. Prometo que atualizarei no mínimo uma vez por semana, sempre desbravando o que há de melhor (ou pior, depende do ponto de vista), quando o assunto é cinema não-convencional...

 

Quando falamos da Boca do Lixo, mais precisamente a sua “fase decadente” (termo comum utilizado por nossos sábios críticos), ou seja, quando falamos da era de ouro do sexo explícito brasileiro, lembramos imediatamente de um dos seus maiores artesãos, o chinês Juan Bajon. Iniciando sua carreira como assistente de direção do crítico Rubem Biáfora, no filme A Casa das Tentações (1975), Juan Bajon realizaria, três anos mais tarde, o seu primeiro longa, o policial O Estripador de Mulheres. Mas o que importa para nós, nesse momento, é a “fase decadente”, ou seja, a fase do “rala-e-esfrega”, ou, como preferem, a fase hardcore tupiniquim.

 

O diretor Juan Bajon, lembrado hoje, tem seu nome associado à excêntrica série eqüina, quando a sua produtora, Galápagos Produções, produzia, aqui e acolá, longas-metragens de títulos inusitados: Sexo a Cavalo (1985), Seduzida por um Cavalo (1986), Garota do Cavalo (1986) e outros cavalos. Quase todos estrelados pela dupla Sandra Morelli e Ronaldo Amaral, e com participações pra lá de especiais da musa Márcia Ferro.

Um pouco antes dessa fase, é verdade, Bajon fez bons filmes pornôs. Não que eu não goste de fase “cavala” do Bajon, mas é um tanto quanto repetitivo, sem muita criatividade. E um dos meus preferidos do senhor Juan é o Juventude em Busca de Sexo (1983).

 

Como a pornografia estava quase começando nos cinemas brasileiros, isso no início dos anos 80, Juventude em Busca de Sexo tem suas cenas de sexo explícito um pouco tímidas, dando a entender que, até a metade do filme, estamos assistindo a uma produção erótica. Porém, isto não é um ônus, é um bônus: Juventude em Busca do Sexo é um dos filmes explícitos da Boca do Lixo que mais desenvolve com maestria o enredo, sem se preocupar em mostrar, de forma desconexa, o “bem-bom”. Nunca antes na história do Brasil (frase emprestada de um político), um filme mostrou cenas de sexo tão bem inseridas no contexto da trama.

 

A ninfetinha (e gostosinha) Shirley Benny (uma das presidiárias do clássico de filmes de prisão Curral de Mulheres) é a personagem principal do Juventude em Busca do Sexo. Na trama, ela e seu irmão – o ator Marcos D’Alves – vêem-se, de uma hora para outra, jogados em um mundo rude e ríspido, após a morte dos seus pais em um acidente de carro. Shirley Benny engravida do filho do seu patrão, dono de um restaurante, e Marcos D’Alves vê-se perdidamente apaixonado por uma garota de programa.

Ambos passam a se virar sozinhos, da forma com podem, e vão descobrindo, aos poucos, como o meio social fragiliza e destrói pessoas. São os adolescentes que, repentinamente, devem agir como adultos para poder sobreviver em um mundo cão. A vida como ela é, sem rodeios e sem maquiagens (onde foi que eu escutei essa frase mesmo?).

 

 

Obviamente, o Guia do Vídeo tem aquele mal-humor costumeiro para com o Juventude em Busca de Sexo, dizendo que tem “mais falação do que ação nesse filme erótico nacional quase implícito, com pretensões a painel social... Aborrecido e ultrapassado”...

Mas que vá pra merda o Guia do Vídeo e sua crítica dantesca e preconceituosa, cheia de chiliques e viadagens. Juventude em Busca de Sexo é um dos melhores do diretor Juan Bajon. Ele consegue imprimir, como poucos, um drama social sincero que aos poucos entrelaça os personagens até o seu desfecho irremediável. Juventude em Busca do Sexo é uma obra densa, que retrata de forma crua as situações cotidianas e, de certa forma, banais, em que todos nós estamos obrigados a viver nas cidades.

 

Shirley Benny também trabalhou com Marcos D’Alves no Taras Eróticas, também do senhor Bajon. Mas isso é assunto para próxima semana.

 



Escrito por Yúri Koch às 15h30
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