Taras de Colegiais (1983)

Similar, muito similar ao filme Juventude em Busca de Sexo, Bajon dirigiu, na primeira metade da década de 80, o Taras de Colegiais. Certos filmes, no período explícito da Boca do Lixo, são muito semelhantes uns com os outros. Mas isso não é coincidência. Produziam-se, naquela época, dois filmes em um curtíssimo espaço de tempo (e alguns inclusive rodados simultaneamente). Assim, economizava-se com atores, equipe técnica, locações, e outros elementos que compõe um determinado filme. Esse modo de produção rápida e econômica pode ser comprovado também com o Comando de Sexo Explícito e Orgia Familiar, ambos do diretor Alfredo Sternheim, e que são, como diz a expressão popular, “cara de um focinho de outro”.
O par de atores Marcos D’Alves e Shriley Benny (ah, a Shirley Benny...), que no drama pornô Juventude em Busca de Sexo fazem o papel de dois irmãos, no Taras de Colegiais são um casal de namorados. Como pude notar, o enfoque do Bajon, antes da descarada fase “cavala” (ou “fase eqüina”, como preferem os pseudo-articulistas da língua portuguesa), é a classe-média e seus relacionamentos degradantes e perturbadores.
O jovem Marcos D’Alves é um estudante sem muitas perspectivas de vida, que tem na figura da namorada dele (Shirley Benny) um objeto para satisfazer sua libido. Mas, como nem tudo na vida são flores, Shirley Benny não participa de cenas de “tchan”, se é que vocês me entendem... Quer dizer, participar ela participa, mas não é explícito. Todas as cenas são implícitas, com ela, deixar claro. Bajon, esperto como é, tenta nos enganar. Ao mesmo tempo em que filma cenas simuladas da Shirley Benny, mostra transas explícitas de outras pessoas. E faz esse jogo de cenas e imagens, confundindo o espectador. Uma pena, pois a Shirley Benny é umas das atrizes mais “totosas” da Boca do Lixo...
Marcos D’Alves no Taras de Colegiais é um adolescente problemático. Sem grana e sem projeto de vida, acaba virando ator pornô e, de quebra, garoto de programa. Para ter um sustento financeiro, acaba se envolvendo com uma velha rica e até mesmo com um travesti (um gordo ridiculamente travestido, uma espécie brasileira de Divine, do John Waters). Como Bajon tem um gosto refinado, resolve não mostrar cenas hardcore com esses dois personagens, pois não é adepto da gerontofilia e seu público tem um posicionamento sexual claramente bem definido (ou será que você não tem, leitor?).
Feito em um período de decadência do Golpe Militar, Juan Bajon aproveita para dar umas alfinetadas no antigo regime, inserindo a trama do Taras Eróticas em um contexto político de críticas ao governo dos militares. Bajon, tido como um grande intelectual no meio da Boca do Lixo, leitor de vários livros e um grande cinéfilo, acertou mais uma vez com este bom filme versando temas de “sexo, juventude, drama e carpe diem”. Mas é claro que minha voz e opinião quase que não encontram respaldos no mundo das críticas, é uma opinião quase que solitária... Snif! Snif! Vá perguntar a qualquer outra pessoa a opinião dela sobre filmes explícitos da Boca do Lixo e você é capaz de até mesmo ser linchado! Eu me considero o “advogado das causas perdidas”...
Reza a lenda que Juan Bajon, em meados da década de 90, no seu sítio onde criava cavalos, localizado no interior de São Paulo, produziu uma série de filmes pornôs voltados para o mercado externo. O conteúdo dos seus vídeos não sei (e prefiro não saber). Mas o que realmente sei é que um dos últimos trabalhos que eu pude conferir do artesão Juan Bajon foram as fitas produzidas por ele para a atriz até então em ascensão chamada Malu Marques... Mas isso eu conto uma outra hora. Po-por hoje é só, pe-pessoal.
Escrito por Yúri Koch às 18h19
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