Colegiais em Sexo Coletivo (1985)

“Para aqueles que acreditaram que os filmes de sexo explícito estavam de pau murcho, o ano de 1985 foi uma verdadeira e gostosa surpresa. Foram mais de 70 filmes lançados, procurando explorar todas as áreas do prazer e da sacanagem.”
Com essas esclarecedoras palavras iniciamos a resenha de hoje. Como disse o sábio jornalista Edward Janks (matéria esta republicada magistralmente na Zingu), a metade da década de 80 estava em plena efervescência cinematográfica, com uma grande produção de obras pornôs. É nesse ambiente agradável, próspero e nada evangélico que encontramos o José Mojica Marins (vulgo Zé do Caixão), introduzindo o zoofilismo no Brasil – com o grande sucesso de bilheterias 24 Horas de Sexo Explícito –, Sady Baby produzindo polêmicas aqui e acolá, e Bajon tratando do tema “juventude e colegiais”.
Após esse contexto, critiquemos, pois, com maior profundidade mais uma obra do artesão Juan Bajon, nascido na China e vivido por estas terras. Como vocês puderam ler, teci elogios dos mais empolgantes às suas duas obras analisadas anteriormente, quando ele soube ministrar com maestria os temas juventude, classe-média e degradação das pessoas na cidade grande, assuntos estes tratados no Juventude em Busca de Sexo e Taras de Colegiais, ambos de 1983. Mas o resultado final de Colegiais em Sexo Coletivo é, digamos assim, “capenga”...
Uma rápida sinopse de Colegiais em Sexo Coletivo: três casais jovens se encontram (não sei como), e vão para o lugar onde as pessoas mais podem se conhecer melhor. Você sabe onde! Na Igreja? Ou será que eles vão para um motel? E lá, na Casa da Vovó Mafalda, transam, transam e transam. E também transam!
No início, pensei que Colegiais em Sexo Coletivo era apenas um emaranhado de cenas desconexas de sexo de outros filmes da Boca do Lixo, como era muito comum na década de 80 (Carlos Nascimento e Nilton Nascimento que o digam). Mais eis que de um monte de gente feia e fedorenta, me aparece uma flor, uma pérola no meio do lixo. Sim, my friend, estou falando de Sandra Midori!
A musa sansei-japinha-safadona, que tanto encantou o povão nas salas de cinema, dá o ar de sua graça! E que graça! Contracenando ao lado de Wagner Maciel, faz o mesmo perder o fôlego e pedir arrego! O único atrativo de Colegiais em Sexo Coletivo é, sem dúvida, a japinha. Com sua pela alva e o corpo baixinho – o que só faz realçar sua áurea de boneca frágil de porcelana – Midori faz o que as outras atrizes não fazem: levantar a audiência do público. Se é que vocês me entendem...
Aliás, é bom salientar que o elenco de Colegiais em Sexo Coletivo é o mesmo do Borboletas e Garanhões (apesar deste ser infinitamente superior àquele): Sandrinha Midori, Débora Muniz – que faz o papel de uma adepta do swing – Wagner Maciel e Eliseu Faria.
Essa similitude no elenco se explica facilmente. Colegiais em Sexo Coletivo é do diretor Bajon, enquanto que Borboletas e Garanhões foi dirigido por Alfredo Sternheim. Mas ambos os filmes são da Galápagos Produções Cinematográfica (comandada por Bajon) em parceria com a Brasil Internacional Cinematográfica, distribuidora de filmes do Alfred Cohen.
Colegiais em Sexo Coletivo considero um filme menor da longa carreira do diretor Bajon. É um filme pobre, sem imaginação, criatividade ou interesse. Não empolga. Pela primeira vez na minha vida concordei com a crítica do famoso e polêmico Guia de Vídeo Nova Cultural (de novo ele!), que informa, sucintamente e de forma preguiçosa: “Casais num motel. Fraquíssimo”. Resumidamente é isso mesmo. O oba-oba descarado em um motel (o “refinado” Motel Barilhoche, cenário comum nos filmes da Boca do Lixo), com um grupo de jovens com a libido lá em cima.
Juan Bajon deixou o enredo na lata do lixo e se preocupou quase que somente com a safadeza, coisa que ele iria repetir na famigerada “fase eqüina”... Mais isso eu conto na próxima semana, porque eu tô cansado e tenho coisa mais importante pra fazer.
Escrito por Yúri Koch às 23h55
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