Sexo à Cavalo (1985)
Vamos agora fazer um pequeno tour a uma das séries mais curiosas e singulares que a Boca do Lixo já produziu, a chamada fase do “pornô-hipismo”, de acordo com a definição do saudoso jornalista Aramis Millarch.
Em um período entre os anos 1985 a 1988, Juan Bajon dirigiu nada mais nada menos que 9 filmes cujos títulos têm a palavra “cavalo”. São eles: Sexo à Cavalo, Meu Marido Meu Cavalo, Seduzida por um Cavalo, A Garota do Cavalo, Loucas por Cavalos, Mulheres e Cavalos, Viciadas em Cavalo, Tudo por um Cavalo e, finalmente, Um Homem, Uma Mulher e um Cavalo. Ufa! Cansei! Sem falar que não citei Duas Mulheres e um Pônei e Júlia e os Pôneis.
Vamos então começar nossa incrível viagem com o primeiro filme da série, Sexo à Cavalo.

Logo pelo título notamos a falta de intimidade do brasileiro para com a língua portuguesa. Não é “Sexo à Cavalo”. Não tem a porra da crase, mas deixa pra lá.
Tudo começa com o casal Sandra Morelli e Ronaldo Amaral presenciando as farras sexuais de cavalos em uma fazenda. Mais precisamente, a Fazenda Tabatinguera – local das filmagens. E olha que o cavalo é um fanfarrão!

Em um ato de obsessão eqüina, Sandra Morelli ordena que o seu marido se comporte como um cavalo. Dá feno para ele comer, coloca estribo e literalmente monta no seu marido-cavalo de estimação. Obviamente Ronaldo Amaral teima em cumprir os caprichos pitorescos de sua amada. Mas como é um pau-mandado...

Em uma noite estrelada, eis que chega uma galera na residência do casal Amaral & Morelli para uma orgia (êita que o povo brasileiro já gosta de uma suruba).

Aqui neste segmento, puxo a orelha de Juan Bajon. Mal os personagens saem do carro e já aparecem nas cenas de sexo. O diretor Juan Bajon deveria explorar mais os corpos das mulheres. Nem se dá ao luxo sequer de filmar os rostos das atrizes! Não que isto mostre a esperteza de Juan Bajon em não desagradar o espectador com a feiúra do elenco feminino, e sim porque o filme foi todo rodado às expressas. Quer dizer, “rodar rapidamente” um filme da Boca do Lixo soa um tanto quanto óbvio. “Rodado às pressas” significa que Bajon não se preocupou com nada mesmo, deixando o trabalho um pouco mal feito, mostrando um certo desleixo no Sexo à Cavalo. A bela Bianchina Della Costa, por exemplo, poderia ser melhor explorada.
Mas Sexo à Cavalo não é tão podre assim. Ao contrário, tem boas e ousadas cenas. Em um delas, uma incrível esporrada no rosto de uma cidadã, no melhor estilo precursor de Brazilian Facials. O destaque fica por conta de Sandra Morelli. Não é uma boa atriz, e nem tão bela assim. Mas realiza uma competente cena com direito à “double penetration” com dois rapazes (e o marido Ronaldo Amaral só de vouyer). Além disso, Sandra Morelli pratica uma devassa performance com uma cenoura, coisa que nem o nosso velho amigo Pernalonga conseguiria fazer!

Apesar de parecer um tanto quanto bizarro, Sexo à Cavalo não chega às vias de fato. O máximo de ousadia em se tratando de zoofilia é um “trabalho manual” (também conhecido como handjob – ou, para quem ainda não entendeu, a chamada “masturbação”) que Morelli pratica no Garanhão.
Visto hoje, é um produto ingênuo, que nem de longe lembra as produções pornográficas bizarras que a mente humana viria a produzir anos mais tarde. Exemplo é o título homônimo (que também peca no trato com a língua portuguesa) chamado (obviamente) Sexo à Cavalo. Não o do Bajon (feito em uma época que filme tinha história e era divertido), e sim uma produção caseira vagabunda qualquer, feita em um sítio qualquer, por uma pessoa qualquer, e que não vale a pena ser comentado neste blog.

Sem comentários... Continuo a série do Bajon na próxima semana.
Escrito por Yúri Koch às 17h58
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