Duas Mulheres e um Pônei (1987)

Senhoras e senhores, crianças e crianços (“crianços”?). Com a permissão da vovozinha, vamos dar continuidade à excêntrica e espalhafatosa série porno-eqüina do chinês Juan Bajon.
Pois bem. Em meio a uma onda de filmes com temáticas um tanto quanto zoofílicas, isso lá nos anos oitenta, eis que surge, mais precisamente em 1987, Duas Mulheres e um Pônei. E quem são as mulheres que o título do filme rotula? A musa Márcia Ferro e a inexpressiva (e “topa tudo por dinheiro”) Michelle Darc. Provavelmente, Duas Mulheres e um Pônei seja o primeiro (e único) road movie pornô zoofílico brasileiro. Se é que vocês entenderam esta classificação insana...
Vamos à sinopse: Um Zé Ruela qualquer (que poderia ser eu ou você) – o ator Fernando Sabato – está a caminhar com o seu carro em uma zona rural. Eis que de repente, saindo das matas secas que encobrem a estrada, surge Márcia Ferro, gritando e pedindo por socorro. Fernando, como bom samaritano, vai ao encontro da desesperada, acabando por socorrê-la de um suposto estupro.
Dentro do carro, Fernando Sabato se depara com uma mulher que, aos poucos, vai mostrando a sua insanidade, loucura e, acima de tudo, depravação. Ressalva-se, neste ponto, a boa interpretação de Márcia Ferro, que em muito lembra a Bianca Chernier no Revelações de uma Sexomaníaca. E não é que a Márcia Ferro resolver afogar o ganso em pleno carro? Se é que vocês me entendem...

Como alegria de pobre dura pouco, dois vagabundos resolvem assaltar o casal. A depravada da Márcia Ferro, tiririca da vida que os delinqüentes estragaram o seu dia, desarma os meliantes e os deixa amarrados. Sem saber o que fazer com eles, segue para a fazenda de uma conhecida sua.

Nesta fazenda, o único passatempo de sua amiga é criar cavalos. Ou melhor, pôneis. Aí vocês já sabem o que acontece, né? Ou eu preciso detalhar tudo? Como na Boca do Lixo todo mundo é anormal, a principal diversão desta amiga é não só criar pôneis, mas também se divertir com as suas crias. Aí entra Juan Bajon e sua obsessão eqüina em ação. Neste rala-e-rola com os pôneis, eis que aparecem cenas, digamos assim, “escrotas”, “indigestas”. Juan Bajon não deixou a imaginação do espectador falar por cima. Optou, de modo sensacionalista a bagaceiro, mostrar a feiosa da Michelle Darc com a boca na botija, se é que vocês entendem. Aqui faço uma pequena pausa dissertativa. Só uma curiosidade inútil, que em nada vai agregar a sua bagagem cultural: nas produções pornográficas, quando há cenas com animais, o diretor lambuza açúcar ou qualquer tipo de doce no corpo da atriz, para que o animal lamba e... Ei! Mas que baixaria da porra é essa aqui no meu blog? Vamos mudar de assunto...

Levando os dois bandidos e o rapaz que a socorreu para a fazenda, lá resolvem animar as horas que ainda lhes restam...

Após a análise (sempre superficial do blog Necrofilmes), saliento duas observações que penso serem relevantes. A primeira é a interessante e inusitada abordagem do diretor Juan Bajon no Duas Mulheres e um Pônei. Em todos os filmes pornôs (no Brasil e no mundo), nota-se a subserviência da mulher, o papel do sexo feminino como instrumento de realização dos anseios sexuais de homem. A mulher como objeto sexual e outros blá blá blá de tese de movimentos feministas. Mas neste filme é diferente! No Duas Mulheres e um Pônei a mulher é o símbolo do poder, a pessoa que manda e desmanda quando o assunto é sexo. Believe or not, nesta obra singular de Juan Bajon, as mulheres usam os homens como objeto de satisfação sexual! Em certos trechos, a mulher quer fazer sexo, mas o homem não quer, dando um de “não dou mas quero dar”! Pois é amigo, os tempos são outros...
O segundo ponto relevante é a própria criatividade na narrativa da obra. Há uma inteligente ligação entre o início e o fim do filme, como se este não fosse ter fim. Explico, não complico: no início, Márcia Ferro é socorrida por um homem. No final, foge deste mesmo homem para ser socorrido por um outro. E nisso subtende-se que irá se perpetuar essas idas e vindas de uma mulher e sua loucura. Como se ela fosse uma divindade sexual de uma estrada, atazanando a vida de seus motoristas.
Em suma. Duas Mulheres e um Pônei é um exemplo concreto da criatividade (e loucura) reinante nos artesãos da gloriosa Boca do Lixo! Tenho dito!
Escrito por Yúri Koch às 19h56
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