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Necrofilmes: Obscuridades da 7º Arte


Tudo por um Cavalo (1988)

  

Que a Boca do Lixo gostava de usar e reciclar várias cenas de vários filmes em cada nova produção, isso todos nós já sabemos. Mas Mr. Bajon, em 1988, fez algo um tanto quanto curioso. Resolveu juntar as melhores cenas (ou piores, depende do ponto de vista de cada um) da sua vasta filmografia eqüina e colocar no seu novo filme. O resultado foi uma interessante utilização de metalinguagem, mas, porém, contudo, entretanto, de certo forma, pobre no resultado. Nisto surgiu o Tudo Por um Cavalo.  

 

O filme resenhado hoje, Tudo por um Cavalo, nada mais é que um sincero diálogo entre o eterno casal Sandra Morelli e seu fiel parceiro Ronaldo Amaral. Os dois discutem as suas vidas, alegrias e decepções que passaram na Boca do Lixo. Tal parceria, aliás, começou com Sexo a Cavalo, em 1985, e perdurou durante aproximadamente meia década. 

 

Tudo por um Cavalo é uma metalinguagem de todo o trabalho do diretor Juan Bajon até então. Morando no Brasil desde criança, o célebre diretor chinês fundou na década de 70 a produtora J. B. Filmes, onde estreou na direção no sleaze de baixo orçamento intitulado O Estripador de Mulheres. Vendo toda a estrutura de produção da Boca do Lixo se deteriorando, em um crescente e irreversível processo de decadência econômica, resolveu cair de cara na safadeza explícita. Aí fundou a Galápagos Produções Cinematográfica. Em parceria com o Alfredo Sternheim, iniciou a fase pornô-eqüina, revelando uma das ícones da fase hardcore paulista, a atriz Sandra Morelli (que, segundo a ranzinza crítica do Guia do Vídeo Nova Cultural, tem um bizarro sotaque da Moóca).

 

 

 

Em Tudo por um Cavalo, Morelli e Amaral discutem sobre os seus trabalhos durante uma suposta filmagem de uma produção pornográfica. Interessante que durante o diálogo entre os dois, escuta-se a voz de um homem, ordenando os seguintes dizeres: “Morelli, Amaral, vamos logo filmar! Estamos atrasados!”. E Morelli, com o seu mau humor que não é condizente com o seu temperamento delicado e tranqüilo, grita e diz aquela célebre frase, que todos nós pensamos ao acordar: “Só mais um minutinho!”.

 

Entre as várias cenas antigas que se desenrolam ao longo da projeção, vemos as célebres passagens de Sexo à Cavalo, o precursor da série, com Sandra Morelli ordenando que o seu marido Amaral comparte-se com um cavalo. Ela mete feno na boca do coitado, além de montá-lo e tratá-lo como um verdadeiro cavalo (cavalo garanhão, no caso). A parte mais memorável, sem dúvida nenhuma, é a briga da almofadas entre os dois, que termina com uma grande bagunça de plumas espalhadas por toda a casa. Outras. Além dos trechos de Sexo à Cavalo, há os de Meu Marido, Meu Cavalo, Seduzida por um Cavalo e muitos outros títulos que você mesmo, leitor, pode criar. Só imaginar qualquer palavra e acrescentá-la ao substantivo “cavalo”.

 

Dizer que Tudo por um Cavalo é uma produção magnífica e um trabalho primoroso de um dos mestres da Boca do Lixo seria uma tarefa difícil para mim. Apenas posso afirmar que Tudo por um Cavalo e tudo isso que venho escrevendo ao longo deste tempo foi um pedaço muito importante da vida para muitas pessoas que vivenciaram o período, e até mesmo teve sua relevância histórica na produção cinematográfica brasileira. O porquê eu não sei, só sei que teve...

 



Escrito por Yúri Koch yurikoch@hotmail.com às 20h35
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