Sexo Erótico na Ilha do Gavião (1986)

Rubens Prado, vulgo Alex Prado, sem sombra de dúvidas, foi o responsável por uma das mais marcantes e ousadas filmografias do Brasil. Filmou faroestes, aventuras, dramas, policiais, thrillers eróticos e pornografia extrema, recheada de escatologia e sadismo. Porém, apesar de ser versátil na arte da direção, nem sempre agradava a crítica especializada na época, como pode ser observado em uma matéria extraída da revista Cinema em Close Up nº 5.

Todavia, críticas ácidas à parte, Alex Prado logrou êxito de público logo no seu primeiro filme de estréia, o western Gregório 38, feito no final da década de 60. Mas como estamos falando do período hedonista, vamos dar um salto cronológico e adentrar nos teratológicos anos 80.

Na verdade, Sexo Erótico na Ilha do Gavião é o filme Febre do Sexo, produzido 6 anos antes, no qual foram introduzidas cenas de sacanagem. A diferença de qualidade de imagem entra ambas as produções é nítida, uma vez que o filme original, Febre do Sexo, apresenta uma textura amarelada, quase apagada.
Sexo Erótico na Ilha do Gavião traz o próprio diretor Alex Prado no papel principal, encarnando Gregório, um típico trabalhador rural que vê sua amada seqüestrada por bandidos do chefe Gavião, que seviciam as outras mocinhas da ilha onde se passa a história.
Após Alex Prado escutar as derradeiras falas de uma jovem agonizando, na abertura de Sexo Erótico na Ilha do Gavião, Gregório parte para a vingança. Dezenas de bandidos irão morrer violentamente, e outras dúzias de ninfas mostrar seus corpos nus ao sol. Alex Prado prova que patina com maestria nos campos do sensacionalismo e do cinema splatter.
Logo em seguida vemos o ator Oswaldo Cirilo – cover do cantor Freddie Mercury – divertindo-se com uma donzela no meio do matagal. Minutos depois, Cirilo – que faleceu em virtude da AIDS, deixando sua companheira Márcia Ferro desgarrada no mundo – protagonizará uma hilária cena, bem típica das porno-produções brasileiras oitentistas. Como vocês devem saber, a Boca do Lixo sempre prega peças nas pessoas. Por exemplo, a moça aí da foto de baixo é um belo convite para a satisfação dos impulsos sexuais, não é?

Pois saiba, amigo, que nem sempre as coisas são como parecem ser. Você, assim como o veterano ator Oswaldo Cirilo, caiu no velho conto “as aparências enganam”. Acontece que o quadril aí da foto é de Patrícia Petri. Ou seja, quem conhece a filmografia explícita tupiniquim, sabe muito bem que se trata da transgênero (ou, como preferem falar, traveco) que participou de grandes clássicos da Boca do Lixo, como Alucinações Sexuais de um Macaco (na qual também contracena com Oswaldo Cirilo) e Rabo 1.

Sem sombra de dúvidas, a cena mais dantesca de todo o filme é a seguinte. Uma branquinha está andando, despreocupadamente, na floresta. Eis que de repente, pula de uma árvore um negro (não, infelizmente não estou falando do Chumbinho). A jovem começa a se apavorar, pois o mesmo quer estuprá-la. Logo em seguida, escutamos a pérola emitida pela moça, que fala mais ou menos assim:
– Não, pára! Socorro! Não! Isso, ai, vai, assim! Assim! Vai! Isso! Ah, oh!

Ou seja, a moça, em menos de 5 segundos, de medo e desespero, começa a se excitar com o próprio estupro! Só na Boca do Lixo mesmo este corte abrupto de emoções nos personagens...
Outro destaque fica a cargo de quatro lendas do cinema brasileiro, que dão o ar de sua graça no clássico Sexo Erótico na Ilha do Gavião: Heitor Gaiotti e Silvio Jr. vendo os amassos entre a loiraça Claudette Jaubert e Oasis Minitti. Um encontro histórico!

Heitor Gaiotti, o bigodudo da foto, se tornou uma figura lendária no cinema nacional. Com seu físico de vilão pilantra, assemelhando-se a Lee Van Cleef, deu vida e dignidade ao protótipo da vilania à brasileira. Foi nos filmes de Tony Vieira que o saudoso Heior Gaiotti entrou para a história (clique aqui para ler a biografia dele – retirada da fotonovela Gringo, o Matador Erótico).
Silvio Jr., por sua vez, é aquele típico personagem da Boca do Lixo que, quando você menos espera, tá lá ele no meio de uma suruba na cama. Ator liberal, não dizia "não" a praticamente nenhuma cena. Topava tudo!

Já Claudette Jaubert dispensa comentários. Musa do cinema brasileiro, foi parceira de incontáveis datas de Tony Vieira. Com a morte do mestre, estrelou as produções mais vagabundas já feitas na América Latina, do cineasta Afonso Brazza, o Rambo do Cerrado. E Oasis Minitti, que faz uma dupla com ela em uma tórrida cena (com Jaubert usando dublê de corpo), protagonizou o primeiro filme hardcore brasileiro exibido no cinema - e não o primeiro filme pornô filmado, como é comum o povo pensar.
No final da obra-prima, vemos finalmente o famigerado Gavião, que aprisiona as branquinhas em um campo de mineração (obviamente, todas nuas). Então, ocorrerá o mortal combate entre Gregório e Gavião. Quem vencerá?
O clímax de Sexo Erótico na Ilha do Gavião é infantil, assim como a aparição e morte de vários personagens que toda hora saltam na tela – chegando ao ponto de você não saber mais quem é quem. O que certamente agradará o povão é seu conteúdo altamente explorativo, sensacionalista. Afinal, o nudismo, assim como a profusão de sangue, são elementos constantes na obra de Alex Prado, que exerceu com dignidade o seu papel de disseminador de entretenimento às massas, ainda que seja de “gosto duvidoso”, como diriam os reacionários.
E não se esqueçam, o blog Necrofilmes adicionou 100 filmes ao acervo no mês de dezembro, que pode ser conferido na seção 1 e na seção 2.
Escrito por Yúri Koch yurikoch@hotmail.com às 18h16
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