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Necrofilmes: Obscuridades da 7º Arte


Bacanal de Colegiais (1983)

 

Disse certa vez Alfred Kinsey, pesquisador da sexualidade dos norte-americanos, que a melhor maneira de se estudar um povo é analisar o seu comportamento sexual. Desta forma, certos países estariam ligados a determinados condutas de sexo, algumas delas consideradas cientificamente como parafilias, anormalidades. No Japão, por exemplo, país reconhecidamente conservador e misógino, predominaria o bondage. Na Alemanha, sobressaía o sadomasoquismo e a gerontofilia. Já a França se destacaria com os fetichismos ligados ao catolicismo, com freiras e conventos. A Europa Oriental, de uma forma geral, seria marcada pela pedofilia e efebofilia. E no Brasil, pasmem, predominaria a zoofilia.

 

Ao se analisar a história pornô brasileira, desde o seu início como produto de consumo legalizado a partir da década de 80 – passado os 30 anos da morte do célebre estudioso – até os dias atuais, percebe-se que a assertiva de Kinsey é, de certa forma, bizarra e estereotipada, não condizente com a realidade. Porém, é certo dizer que em determinada época a indústria pornô brasileira inundou as prateleiras das locadoras com obras de bestialismo, dirigidas por mentes insanas. Juan Bajon – mais contido e insinuado – inaugurou o gênero (que chegou a fazer sucesso nas locadoras dos EUA), e o famigerado Billy Norton desenvolveria explicitamente a grosseria, já na década seguinte, através da grotesca produtora Indecente Filmes.

 

Importante nome na produção de obras da Boca do Lixo, tendo no currículo 33 filmes, Juan Bajon marcou época. Chinês radicado no Brasil, tem a sua filmografia dividida em duas fases: os de 1979 a 1984, quando focou o tema de juventude em conflito com a sociedade retrógrada e preconceituosa, e os que seguem a partir de 1985, período dos eqüinos. E é no primeiro período que Bacanal de Colegiais se enquadra.

 

 

Em um inspirado momento de maturidade, onde abandona estereótipos e análises supérfluas da sociedade, Juan Bajon perfila os bastidores da indústria pornográfica. Revela a vida de Marcelo – interpretado serenamente por Tony Cassab – um jovem perdido, sem perspectivas de vida. Acordando sempre tarde e sem emprego, é duramente criticado pelo pai, e mimado pela mãe. As brigas árduas de gerações são constantemente inseridas nas obras de Juan Bajon, mostrando a frieza e rispidez com que a figura paterna, detentor da "Pater Familias", trata os seus comandados, filhos e esposas. Após discussões constantes, Marcelo arranja serviços em um motel, onde deverá se prostituir. E logo se decepcionará, uma vez que será forçado a se encontrar com figuras homoeróticas sebosas.

 

 

Como macho que é macho não se entrega, larga essa vida de michê. Fazendo bicos em produções caseiras de sexo, encontra emprego com um diretor que está dirigindo um filme de título curioso: Bacanal de Colegiais. Revela-se, aqui, um interessante e criativo exercício metalingüístico de Juan Bajon. E é durante as gravações do filme que Marcelo se encontra com Silvia (a atriz Rosa Maria Pestana) que será a sua parceira fora das telas, onde passarão, juntos, pelas amarguras impostas pela vida.

 

 

Em um gênero dominado por mulheres comuns, sem muitos atrativos, Rosa Maria Pestana é um colírio para os olhos de qualquer pessoa. Com um bunda para lá de sensacional, uma pele “bronzeada” (como diria o Silvio Berlusconi) e uma postura profissional diante das câmeras, é impossível não tirar os olhos da morena. Atriz que quer ser reconhecida não somente pela beleza, como também pelo talento (vide a bunda, quer dizer, a interpretação dela), Rosa Maria Pestana não participa de cenas explícitas. O que é até melhor, uma vez que deixa asas à imaginação dos espectadores.

 

 

Como todos sabem, não é lenda o chamado “teste de sofá”, onde aspirantes à atriz – e até mesmo atores – são obrigados a transar com chefões das indústrias. E a tal prova de assédio sexual é muito bem mostrada pelas lentes atentas do cineasta Juan Bajon. Rosa Maria Pestana tem que se “deitar” com o diretor, para que consiga trabalhar no Bacanal de Colegiais. Será uma autocrítica de Juan Bajon? A interpretação fica a cargo do espectador.

 

Observador da complexidade da vida, Bajon registra, por meio das frustrações passadas pelo casal principal, composto de forma competente por Tony Cassab e Rosa Maria Pestana, como as opções de se prostituir e adentrar no submundo pornográfico dependem exclusivamente das escolhas de cada um. Afastando, assim, a falsa premissa da velha frase “faço programa porque não tenho emprego e sou marginalizado”. Bacanal de Colegiais não é surrado nem grosseiramente dirigido. Ao contrário, é um ponto alto na carreira de Juan Bajon, composta de ótimos filmes, e outros medonhos. Porém, quando Bajon acertava, era mais uma obra magnífica e bem desenvolvida na filmografia explícita brasileira.

 

 

 

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Escrito por Yúri Koch yurikoch@hotmail.com às 02h07
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