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Necrofilmes: Obscuridades da 7º Arte


Sexo com Chantilly (1985)

 

 

Entre as muitas mulheres que desfilaram pelas centenas de produções pornográficas da Boca do Lixo, as de beleza estonteante, capaz de cair o queixo de qualquer marmanjo, podem ser contadas nos dedos das mãos (ou nos dedos dos pés, se as mãos estiverem ocupadas). Conhecida por ser o mais democrático pólo de produção de cinema que o mundo já conheceu, a Rua Triumpho e suas imediações – berço da Boca do Lixo – testemunhou entre as suas calçadas, escondidas entre bares e produtoras, mulheres dos mais diversos estratos da sociedade, desde princesa européia – como a Ira de Fürstenberg, que chegou a estrelar aventuras eróticas do diretor David Cardoso – até a mais mequetrefe balofona empregada doméstica (nada contra as domésticas, apenas exemplificando a diversidade humana existente naquele período).

 

Quando o assunto é hot-scenes, poucas se destacaram, uma vez que a maioria das estrelas de até então, que encantou o povão na fase softcore, se recusou a participar da algazarra sexual que os anos oitenta iriam trazer. Desta forma, apesar das centenas de figurantes que abundavam nas telas dos cinemas dos centros urbanos, poucas foram as musas do cinema explícito. As beldades que levavam multidões aos cinemas e que tinham seus nomes estampados em letras garrafais nos cartazes, foram poucas. As mais lembradas são a Sandra Midori, Sandra Morelli, a argentina Andrea Pucci, Márcia Ferro, Patrícia Petri... Mas sem sombra de dúvidas, nenhuma se compara à grandiosidade, talento, presença artística e sensualidade da eterna Keity Vidigal.

 

 

Moça maior de idade, com seu rosto angelical e pela alva e reluzente, Keity Vidigal esbanja luxúria em qualquer aparição. Um misto de santidade e depravação, ambigüidade barroca que caracteriza sua voracidade nas cenas de tchaca-tchaca-na-butchaca. Mais parecida com uma personagem recém-saída das páginas de Vladimir Nabokov, Keity Vidigal marcaria, para sempre, a história do gênero no Brasil, impondo um padrão de qualidade estética até então não visto nas produções cinematográficas.

 

 

Ao contrário das siliconadas e deformadas atrizes que teimam em aparecer no gênero nos dias atuais, Keity Vidigal, lá na década de oitenta, ostentou, com muito orgulho e dignidade, o seu corpo soft, de aparência um pouco teen, desprendido de cirurgias plásticas. E tanto charme para, infelizmente, protagonizar apenas um único filme na Boca do Lixo: Sexo com Chantilly. Fato lamentável, uma vez que foi a mais bela atriz que já passou por estas bandas. Poderia ser equiparada a qualquer Brigitte Lahaie da vida, não fossem duas sinistras condições: sua passagem meteórica, e o local de nascimento: Brasil, país dos esquecidos e do ostracismo cadavérico. Fico imaginando: fosse hoje, a Keity Vidigal iria ser obrigada a “contracenar” com a Lacraia, anões e “celebridades” decadentes. Entraria em depressão, acabando por encontrar abrigo na cocaína. Para pagar o vício, faria programas em sites de “acompanhantes” de São Paulo. Onde contrairia AIDS e, com isso, cometeria suicídio. Acha que é exagero meu? Infelizmente é a mais pura verdade, um retrato fiel de como funciona hoje a sociedade.

 

Voltemos ao Sexo com Chantilly. A ninfeta Keity Vidigal é tão arrasadora que a história fica em segundo plano.

 

 

 

Se a história é irrelevante, o cast é magnífico. Afinal, uma coisa é certa. Juan Bajon sempre acertou na escolha do seu elenco. Em Sexo com Chantilly não é diferente. Keity atua ao lado das veteranas Sheila Santos, Bianchini Della Costa, Ronaldo Amaral (ator-fetiche de Bajon) e Eliseu Faria. Lamentavelmente, o soberbo Dicionário de Diretores da Boca do Lixo, do autor Alfredo Sternheim, cometeu um erro crasso. Em um foto em preto e branco do Sexo com Chantilly, chamou a bela morena Sheila Santos de Bianchini Della Costa. Confundiu alhos com bugalhos... Deixa pra lá!

 

 

A história de Sexo com Chantilly é marcada pela simplicidade, na qual um grupo de pessoas vai a uma casa de campo se empanturrar de comida, e, nos intermédios, pôr em prática a libido humana.

 

 

Logo no início, Bajon, mostrando habilidade e dinamismo com sua câmera, faz um travelling pelo local onde irá ocorrer a festança regada a comida e muita cópula: uma casa de campo. Em seguida, somos obrigados a escutar Ronaldo Amaral cantar uma canção (algo pior que uma música do grupo Molejo). Terminado a seresta de Ronaldo com seu violão, Keity Vidigal vai tocar flauta. Se é que vocês me entendem...  

 

 

Ao longo de Sexo com Chantilly, assistimos as farras sexuais entre os participantes, que não conversam absolutamente nada durante todo o filme. Os homens, entendidos aqui como gênero masculino e feminino, em nenhum momento se comunicam, dialogam entre si. Não emitem opiniões ou paixões. Apenas emitem grunhidos. Quando falam, são apenas em pensamentos, em cenas introspectivas. Com isto, Juan Bajon quer despir tudo de desnecessário do ser humano, deixá-lo nu, de corpo, alma e pensamento. Afinal o homem é, acima de tudo, um animal. E como todo animal, é dotado de instintos básicos, que se colidem com a moral e com a razão: o prazer irracional de copular. A cópula do animal-humano é uma válvula de escape para a degradação cotidiana que o homem é obrigado a se submeter.

 

É por isso, entre outras coisas, que eu considero o diretor Juan Bajon um verdadeiro gênio, daqueles que não se fazem mais hoje em dia. Mas poucas pessoas conseguem notar as nuances e momentos grandiosos de um grande diretor...

 



Escrito por Yúri Koch yurikoch@hotmail.com às 01h58
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