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Necrofilmes: Obscuridades da 7º Arte


Sexo em Festa (1986)

 

  

“Com seu sotaque da Mooca, Sandra Morelli torna ridículo qualquer texto”.

 

“O diretor Sternheim já foi mais sério, mas também se sentiu obrigado a aderir ao explícito”.

 

Na tradição da mitologia grega, certamente um dos 12 trabalhos de Hércules deveria ser a procura e o encontro de uma crítica positiva a qualquer elemento integrante da Boca do Lixo, uma análise digna e respeitosa a qualquer filme, ator, atriz ou diretor que habitaram as imediações da Rua Triumpho. Críticas quase sempre injustas que, devido a uma análise rasteira e preconceituosa dos jornalistas, não conseguiam desvendar toda uma áurea por trás de um dos pólos produtores de cinema mais incríveis e verdadeiros do mundo.

 

Se histórias ditas como “banais” abundavam a toda hora na Boca do Lixo, Sexo em Festa não escapa desta taxação. Filmado em 1986, Sexo em Festa narra as aventuras de Lucia, um moça rica e problemática que, acompanhada de seu noivo Hélio e outras pessoas, se encontram e se desencontram sexualmente em uma casa qualquer no interior de São Paulo.

 

 

No rol das estrelas nativas, formadoras de um legítimo star system, encontra-se Sandra Morelli. Na obra Sexo em Festa Sandra Morelli é Lucia, uma menina mimada e riquinha, cheia de problemas sexuais. Ostentora de um mullet um tanto quanto camp, com seus finos cabelos dourados formando uma penca capilar cobrindo o pescoço – traço de beleza enraizado nos idos anos 80 – e dotada de uma voz doce, suave e insossa, Sandra Morelli, descendente de italianos, foi a mais importante e sem sombra de dúvidas a mais bonita estrela da Galápagos Produções. Nas cenas iniciais de Sexo em Festa, Lucia se encontra com o seu noivo Hélio, encarnado pelo ator Elias Breda. Conversa vem, conversa vai e descobre-se que, mesmo com anos de namoro, os dois nunca nhanharam, para o desgosto de Hélio.

 

 

 

E após o rápido encontro na pracinha, o casal vai a Bariloche. Não a paradisíaca cidade da Argentina, rodeada por montanhas e lagos cristalinos, mas sim ao Motel Bariloche, o lendário local onde ocorriam as maiores fodas da Boca do Lixo – ou, para dizer um linguajar mais elegante e menos vulgar, o local onde ocorriam os maiores encontros romântico-intimistas da Boca do Lixo.

 

E fuk-fuk ali, vuco-vuco aqui, peru com farofa lá, Lucia, fresca que só ela, desiste de prosseguir com o oba-oba, para mais um outro desgosto do seu noivo Hélio. A atriz Sandra Morelli, além de sua beleza exótica, se destacou na Boca do Lixo por fazer papéis de mulheres traumatizadas e excêntricas, de difícil compreensão por parte de seus relacionados; sempre personificando mulheres perturbadas, às vezes mimadas e ricas, com passado obscuro e traumático que põe em cheque a sua vida sentimental, desaguando em relacionamentos amorosos difíceis. 

 

Como as coisas na cidade grande não andam bem, o casal parte rumo à roça. O campo, na Galápagos, é um local onde o ser humano encontra-se consigo próprio. A cidade grande é um elemento aglutinador de brigas e problemas sentimentais, e o campo é o contraponto, um lugar onde os homens e as mulheres se descobrem sexualmente e sentimentalmente, uma espécie de cura após a vida urbana traumática. Lá, os dois jovens, em um ato de voyeurismo, vão se deparar com um casal descarado bimbando no meio do matagal – o chamado dogging, em que casais, adeptos do exibicionismo, praticam suas “sem-vergonhices” em locais públicos. “Mas que barbaridade!”, certamente diria o Datena se visse a cena...

 

 

 

No Sexo em Festa, a beleza não ficou somente a cargo da veterana Sandra Morelli. A gostosa morena jambo Ninon Jones (apesar do nome de homem) dá o ar de sua bunda, quer dizer, o ar de sua graça em mais um produto made in Galápagos.  

 

Ninon Jones sempre aparecia como coadjuvante na Boca do Lixo, figurando escondida no meio de um grande bacanal, despercebida aos olhos leigos dos espectadores que lotavam os cinemas, à época. Uma pena, pois Ninon Jones teve todas as qualidades para ser uma das principais estrelas de cinema, só não teve a merecida oportunidade. Aliás, um dos pontos negativos de Sexo em Festa é a negligência de Alfredo Sterheim em filmar Ninon Jones! Um absurdo! A beldade deveria ter logrado um papel mais relevante na história, e Sterheim gasto mais cenas mostrando a beleza cafuza de Ninon Jones, focando com sua câmera a exótica (e aparente) miscigenação de índio com negro, que resultou em uma morenona de olhinhos puxados e cabelo preto e liso, esvoaçando aos ventos. Em vez disso, Ninon Jones aparece só de realce, em cenas geralmente na penumbra, mal iluminadas e fora de foco.

 

   

 

No mesmo ano, em 1986, Ninon Jones integraria o que provavelmente foi o mais polêmico filme do Mestre Sady Baby, o maior diretor de filmes hardcores do planeta, no controverso Caiu de Boca. Malfadado a uma estranha maldição, o filme Caiu de Boca, considerado por muitos como “perdido”, mostra, entre suas cenas, a morena jambo Ninon Jones fazendo o papel de uma modelo fotográfico que alicia a sua prima (a ninfeta Taramoa). Mas essa história é que nem merda: não mexe que não fede...

 

 

 

E na casa de campo, brigas vão rolar – e outras coisas vão rolar também, se é que vocês me entendem... E eis que um diálogo brilhante surge no meio da muvuca. Ninon Jones, após escutar o passado bizarro de Lucia, no qual fica sabendo que a moçoila rica teve encontros lésbicos com a tia quando mais jovem, exclama a seguinte frase:

 

– Sabe que uma história como essa daria um bom filme?

 

E uma inimiga de Lucia, que encontrava-se também na casa de campo, não perde a chance para futucar e jogar lenha na fogueira:

 

– Mas tem que ser explícito, porque a madame aí dá mais que chuchu na cerca...

 

Obviamente Lucia não vai deixar por menos, e dá um safanão na gaiata. Afinal, não há nada pior que ser agredida verbalmente na própria casa. Entristecida, sai da sala cabisbaixa. Dando espaço para que mais um baco-baco ocorresse em sua propriedade. Melancólia dentro do quarto, é consolada por seu caseiro, o ator Max Din, que oferece mais que consolo à patroa... Um dos pontos altos de Sexo em Festa é justamente o encontro privado entre Lucia e seu empregado doméstico, que nutre uma paixão avassaladora pela ama.

 

 

Enfim. Sexo em Festa é mais um produto simples da Boca do Lixo, que, com pouco orçamento, um elenco simpático, e um roteiro sem grandes aspirações, tratou com sinceridade temas corriqueiros, muito comuns no povo brasileiro, como a degradação que somos obrigados a nos submeter na pós-modernidade. Inferior ao Sexo Doido (rodado quase que simultaneamente ao mesmo), Sexo em Festa é mais uma obra que o honra o panteão explícito tupiniquim. 

 

Terminado a resenha de Sexo em Festa, gostaria de dar 3 informações aqui no blog. O primeiro, é agradecer ao meu amigo Matheus Trunk, da Zingu, que me conferiu a honrar de ser um dos ganhadores do prêmio Dardos, destinados aos blogs que se destacam na internet.

 

E gostaria imensamente de agradecer ao amigo norte-americano Shawn Johns, lá do árido estado do Arizona, nos Estados Unidos (my special thanks to my friend Shawn Johns). Shawn me deu de presente 5 edições do lendário fanzine que ele editou nos EUA, o cultuado Vomit Bag Vídeo, especializado em cinema extremo, underground, bloody japanese flick, exploitation, filipino movies, mondo documentaries e outras insanidades!

 

 

 

   

 

Um verdadeiro deleite! Já li todas as matérias e estou relendo novamente, pois são muitas informações a respeito deste estranho “galho” de cinema, pouquíssimo conhecido pelas grandes massas. Como forma de agradecimento, vou enviar ao Shawn Johns algumas edições da minha coleção particular de revistas Rudolph, a “revista do sexo insólito”, que foi a mais impressionante publicação destinada ao público adulto no Hemisfério Sul, hoje em dia muito rara, difícil de encontrar.

 

E a terceira informação é dizer que o blog Necrofilmes adicionou mais obras raras em seu acervo, que pode ser conferido na Seção 1 e Seção 2.

 



Escrito por Yúri Koch yurikoch@hotmail.com às 13h54
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