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Necrofilmes: Obscuridades da 7º Arte


Massagem for Men (1983)

Macacada, desculpa mesmo a demora. Agosto foi uma mês apertadíssimo com relação a tempo. Mas em setembro vou atualizar pelo menos uma vez na semana. E confiram a atualização do blog Necrofilmes na seção 1 e seção 2. 

 

 

 

 

Na década de 80, embalada por uma dança sensual, uma cantora loira de cabelo curto fez sucesso entre os meios de comunicação. Seu nome, Sharon. Seu hit musical, Massagem for Men. A história de Sharon confunde-se com o próprio (sub)desenvolvimento artístico e televisivo brasileiro dos anos 80, onde imperava o mau-gosto explícito. Época em que faziam sucesso Mara Maravilha, Sergio Mallandro, Menudo, Fofão, Gretchen e Rita Cadillac. Enfim, não era necessário ter talento para fazer sucesso – se bem que as coisas não mudaram nada todo esse tempo. Desse seleto grupo, o único que se salvava do ponto de vista artístico era o Sergio Mallandro, hoje um renomado e influente intelectual no meio universitário e acadêmico brasileiro. 

 

Ex-dançarina do programa Silvio Santos, e aliciada, quer dizer, e agenciada por Mr. Sam – o mesmo empresário da intelectual Gretchen – Sharon resolveu alçar vôo solo. Afinal, talento não lhe faltava: uma bunda cheirosinha e impecável, um par de “peitchinhos” pequenos e queimados ao Sol, uma cintura fina e esculpida, e louros fios esvoaçando aos ventos. Todas as qualidades para se virar celebridade neste país.  

 

Em 1982, Sharon lançou o hit Massagem for Men, que em sua letra dizia “Vem cá meu bem, fazer uma massagem for men. Benzinho, não fique assim tão nervozinho. Relax, neném, a fera aqui sou eu meu bem”. Ou seja, poesia pura, aliada a uma rigorosa construção harmônica. Algo de fazer inveja a Vinicius de Moraes, que se reviraria no seu túmulo, inconsolável por não ter composto tamanho beleza musical. 

Pronto, a música Massagem for Men virou um sucesso em todo o Brasil, e atingiu índices de popularidade continental, alcançando os 3 países do Cone Sul, Argentina, Uruguai e Paraguai. Fez sucesso também no Chile – acredite quem quiser...

 

No início dos anos 80, mais precisamente em 1983, época em que começaram a surgir os primeiros filmes pornográficos na Boca do Lixo, Sharon resolveu atacar mais uma mídia, dessa vez a cinematográfica, para dar publicidade ao seu sucesso musical, Massagem for Men. Por que não misturar o seu mais novo hit a um filme destinado para o público adulto? 

 

Em um inteligente e mutualístico conúbio (“conúbio”... Aurélio alguém?), cinema e música se uniram, tudo em nome da arte. Não a arte aristocrática da elite brasileira (se é que existe “arte” na elite brasileira). E sim, a arte popular, do povão, aquela que a empregada doméstica, menina faceira do interior, canta enquanto está a lavar o chão recém cagado pelo poodle da patroa. Ou melhor, a música que o patrão canta para e empregada, enquanto a esposa dele deu uma saidinha: “Vem cá, meu bem, fazer uma massagem for men...”. Enfim, a arte que emana da boca do povão, destituída dos conceitos subjetivos burgueses sobre o que é “bom” e o que é “brega”. Quem foi o cobrador de ônibus que nunca cantou o hit de Gretchen, Conga la Conga, enquanto estava separando os trocados para entregar para aquela gorda fedorenta que reclama constantemente da demora do ônibus? Conga la Conga, Conga Conga Conga... Até hoje os cientistas tentam decifrar essa enigmática frase subliminar...

 

Sharon, embasada no seu sucesso Massagem for Men, uniu o talento musical dela ao talento cinematográfico do diretor José Adalto Cardoso. Até então, Adalto Cardoso tinha na bagagem como cineasta apenas 3 obras, entre elas a comédia caipira E a Vaca Foi Pro Brejo. Não sabia, até então, como usar o sexo explícito nos seus filmes. Ousado, já trabalhara com erotismo antes no pesado drama erótico O Império das Taras (1980), em uma trama envolta por mortes, estupros, bordel e lesbianismo. Mas não sabia como mostrar a ralação sexual explícita na tela do cinema.

 

E não foi no Massagem for Men que rolou a difícil química de conciliar pornografia em uma narrativa cinematográfica. Apesar de ter tentando, José Adalto Cardoso não conseguiu exercitar o apogeu do seu talento. Nem de longe demonstrou a genialidade que viria a provar no final da década de 80, com a obra-prima As Taras do Mini-Vampiro, grande contribuição para a cultura brasileira, ou mesmo sua célebre parceria com Sady Baby, que inclusive gerou protestos pelo país e resultou na prisão do polêmico Sady Baby, o "Marquês Sady". 

 

Para amarrar a cantora Sharon e sua música de sucesso Massagem for Men com uma obra cinematográfica, José Adalto Cardoso lançou o filme homônimo. O enredo, por conta de Osmiro Campos, ficou um pouco inusitado, misturando um serial killer, mortes de mulheres, o rebolado erótico de Sharon e suas músicas bagaceiras. Um verdadeiro samba do crioulo doido.

 

Na trama, um renomado doutor, médico respeitado pela sociedade, é portador de uma dupla personalidade, em que tenta esconder de todos o seu lado obscuro e maníaco. Não, não estou falando de Roger Abdelmassih. E sim de Dr. Renato.  

 

Adepto das surubas (no Brasil, sempre tem que ter alguém adepto das surubas), Dr. Renato nutre uma profunda paixão incontrolável pela cantora Sharon. Dr. Renato tem um passado sombrio, envolto por traumas na infância, em que passou a amar e odiar violentamente loiras. Compulsão esta que passou a compartilhar cotidianamente em sua vida. Qualquer mulher loira encaixa-se perfeitamente no rol de suas vítimas, no qual executa detalhadamente seu modus operandi; se aproxima de sua vítima loira, compartilha com ela momentos de felicidade e, no ato sexual, como se fossa a personificação de uma viúva-negra, esgana a sua vítima até a morte. Um ímpeto sexual e homicida que espalha pânico na polícia.

 

 

Apesar da matança de mulheres, Massagem for Men não chega a ser um legítimo exemplar da safra slasher brasileira, como os clássicos Assassino da Noite (1978), de Juan Bajon, e Shock (1984), de Jair Correia. Não tem cenas explícitas de violência (o gore é inexistente) e as mortes das moças mal aparecem. Enquanto as fêmeas loiras são mortas uma por uma, os policiais ficam que nem cego em tiroteio, não sabem para onde vão. E é na delegacia de polícia que surge a maior novidade: o delegado de polícia é nada mais nada menos que Osmiro Campos. Para os desavisados, Osmiro Campos, que fez o argumento e roteiro do pornô Massagem for Men, e que atua como delegado de polícia no filme, foi o dublador do Professor Girafales no programa do Chaves!  

 

Confesso que fiquei emocionado com esta grande descoberta. Quem diria que o grande dublador que emprestou sua bela voz para o Mestre Lingüiça (digo, para o Professor Girafales) trabalhou em uma legítima produção pornô made in Boca do Lixo? Só no Brasil para acontecer essas coisas fantásticas. “Dizia eu que a aritmética...” Quem nunca recitou essa brilhante frase?

 

O que irrita em Massagem for Men é a sua duração, de 86 minutos. Se na edição fossem retiradas cenas prolongadas e desnecessárias, Massagem for Men teria um ritmo mais suave, fluiria com maior dinamismo. Por exemplo, a cada 5 minutos, Dr. Renato se lembra de seu trauma de infância. Uma repetição enfadonha das mesmas cenas, que só faz induzir à insatisfação de quem assiste ao filme. Além do mais, o cineasta José Adalto Cardoso por vezes se perde na narrativa, não sabe para onde vai. A trama se torna confusa, com mulher loira aparecendo aqui e ali e sendo morta, até chegar um momento que não se sabe quem é quem no Massagem for Men. O excesso de personagens secundários só atrapalha o bom andamento do filme.

 

Sharon, dotada de uma sensualidade ímpar, poderia ser melhor aproveitada. Não que aparecesse com mais diálogos. Longe disso! Digo que ela poderia ser melhor filmada, ser mostrada mais a sua erótica e orgulhosa sensualidade loira. O máximo de erotismo são os peitinhos delas que mal aparecem, enquanto está se revirando no edredom da cama.

 

Massagem for Men é apenas um suspiro mambembe da sensualidade trash da Sharon, envolvida em uma trama cabocla de mistério e mortes, que não consegue prender atenção das pessoas. Poderia render melhores críticas, caso fossem cortados 20 minutos em sua edição, e fosse melhor aproveitada Sharon, da forma como ela veio ao mundo. Além do mais, as cenas explícitas não agregam nada ao filme, feitas por um elenco secundário e desconhecido, como se fosse um insert alheio a toda a trama, típico da picaretagem de gente como Carlos Nascimento e Nilton Nascimento. A solução do filme – que deixa um ar de mistério no final – é banal e infantil, em que todos os personagens, tanto a polícia como Sharon e o assassino, se dirigem para o mesmo hotel, local onde ocorrerá o suposto clímax da história.

 

Se antes Sharon, no auge da sua fama, arrastava seu concupiscente público nos seus shows ingênuos, bem estilo “trash’ 80, em que imperava o ditado “quanto pior, melhor”, hoje Sharon é uma figura quase anônima vagando no meio da multidão. Mas, para o encanto dos seus fãs, continua a ostentar a sua beleza loira. A loirinha que virou uma coroa muito gostosa. Com todo o respeito...

 



Escrito por Yúri Koch yurikoch@hotmail.com às 15h03
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